Levantamento do Greenpeace identifica 25 candidatos com multas ambientais que receberam financiamento entre 2013 e 2026. No histórico desde 2012, os recursos superam R$ 1,37 bilhão.
O primeiro turno das eleições de 2026 deixou um dado relevante para o debate sobre financiamento e responsabilidade ambiental: 25 candidatos com multas ambientais registrados na disputa receberam R$ 253,6 milhões em crédito rural entre 2013 e 2026. Os números são de um levantamento do Greenpeace Brasil, que cruzou informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Ibama e do Banco Central.
Dos 25 candidatos com multas ambientais que receberam financiamento, 17 tinham penalidades ativas e não quitadas no momento da análise, cujo valor ultrapassava R$ 11 milhões. Esse grupo recebeu R$ 47,6 milhões em crédito rural no período analisado. Ao todo, a pesquisa encontrou 137 candidatos de 21 partidos registrados nas eleições de 2026 com pelo menos uma multa aplicada pelo Ibama entre 2008 e 2026.
As penalidades somavam aproximadamente R$ 161 milhões, dos quais R$ 82,4 milhões permaneciam ativos, sem pagamento, cancelamento, substituição ou suspensão. O PL reuniu 20 candidaturas com autuações, seguido pelo MDB, com 15, e pelo Podemos, com 13. PSD e Republicanos tiveram dez nomes cada.
Financiamento se concentrou no PL e no PSB
Entre os candidatos com multas ambientais que obtiveram crédito rural, os vinculados ao PL receberam o maior volume de recursos: R$ 118,1 milhões. Na sequência ficaram os do PSB, com R$ 69 milhões. PSDB, União Brasil, PSD e Podemos também apareceram entre os partidos dos beneficiários.
O recorte de 2026 integra um histórico mais amplo. Considerando as candidaturas registradas entre 2012 e 2026, o crédito rural concedido a candidatos com multas ambientais superou R$ 1,37 bilhão, segundo o Greenpeace. Para a organização, os dados mostram que a presença de pessoas com registros de infrações ambientais nas disputas eleitorais se repete ao longo dos anos.
Levantamento aponta lacunas nas restrições ao crédito
Segundo a entidade, lacunas nas regras de concessão permitem que candidatos com multas ambientais acessem financiamento em determinadas situações. A restrição descrita no levantamento alcança propriedades embargadas por desmatamento, mas não impede necessariamente o crédito em casos de outras infrações. Entre as situações apontadas estão embargos por uso ilegal de fogo ou pesca ilegal, autuações sem embargo e irregularidades registradas em uma propriedade diferente daquela que recebe o financiamento.
Para Cristiane Mazzetti, coordenadora de desmatamento zero do Greenpeace Brasil, essas lacunas precisam ser fechadas para impedir que recursos públicos beneficiem quem foi autuado por descumprir a legislação ambiental. A coordenadora também critica a atuação de representantes políticos para flexibilizar regras e reduzir a efetividade da fiscalização. “O que vemos é um ciclo vicioso em que legisladores e executivos atuam para afrouxar e adiar regulamentações, reduzir a efetividade da fiscalização ambiental e desenhar licenciamentos sob medida em benefício próprio ou de sua base eleitoral”, afirmou.