Câmara: Comissão rejeita projeto que susta flexibilização de multas ambientais

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados rejeitou, nesta terça-feira (18), o Projeto de Decreto Legislativo  114/19, que susta decreto do presidente Jair Bolsonaro que flexibilizou multas ambientais.

Decreto 9.760/19  estabelece que os órgãos vinculados ao Ministério do Meio Ambiente, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), são obrigados a estimular a conciliação nos casos de infrações administrativas por danos ambientais e seguir um rito estabelecido para encerrar os processos.

O projeto que susta o decreto presidencial foi apresentado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e subscrito pelos demais 54 deputados da bancada do partido. De acordo com Pimenta, a Lei de Crimes Ambientais não prevê a conciliação ambiental, estabelecida pelo decreto.

O parecer do relator, deputado Camilo Capiberibe (PSB-AP), foi favorável à proposta de Paulo Pimenta e pela rejeição dos projetos de igual teor apensados (PDLs 117/19,  124/19, 130/19 e 133/19). Conforme o deputado, “realmente não há nada na Lei de Crimes Ambientais que possa sustentar a regulamentação da conciliação ambiental na forma prevista no decreto”. Porém, esse parecer foi rejeitado na comissão, com 10 votos contrários e 8 favoráveis.

Foi nomeado relator do parecer vencedor o deputado Jose Mario Schreiner (DEM-GO), que apresentou voto em separado recomendando a rejeição do projeto e a manutenção do decreto do governo. Segundo ele, ao estimular a conciliação nos processos decorrentes de autuações ambientais, o Executivo busca “dar agilidade e eficácia aos instrumentos de gestão, monitoramento e avaliação dos autos de infração, evitando que os processos se arrastem indefinidamente”.

Schreiner também concorda com a possibilidade de a multa ambiental ser convertida em prestação de serviço, prevista no decreto. Esse parecer foi aprovado com 9 votos favoráveis e 9 contrários, com o desempate pelo voto do relator.

Tramitação

A proposta ainda será analisada pelo Plenário da Câmara.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de decreto legislativo

Fonte: Money Times

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Água em risco: como a poluição ameaça a vida nos rios do planeta e o que pode ser feito agora

Com a maior rede hidrográfica do planeta e uma biodiversidade aquática extraordinária, o país está no centro desse debate. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios conhecidos: saneamento insuficiente, poluição por mineração, expansão agrícola e impactos das mudanças climáticas. A Amazônia, por exemplo, já apresenta sinais de contaminação por plásticos e outros poluentes, evidenciando que nem mesmo regiões consideradas remotas estão imunes

Terras raras no Brasil entram no centro da disputa por soberania nacional

Terras raras no Brasil entram na disputa global, com Lula defendendo soberania mineral diante de pressões externas e impactos ambientais.

Mineração sustentável é possível? Transição energética expõe dilema

Mineração sustentável é possível? Avanços tecnológicos enfrentam limites ambientais, pressão sobre ecossistemas e desafios da transição energética.

O mundo mudou — e a Amazônia precisa reagir antes de ser empurrada

Entrevista | Denis Minev ao Brasil Amazônia Agora Empresário à...