Governo vê fortalecimento com o Brasil na Opep+ e nega impacto na transição energética; ambientalistas criticam aliança e alertam para danos à imagem do país na economia verde
Nesta terça-feira (18), o governo brasileiro confirmou o a entrada do Brasil na Opep+, grupo formado pelos aliados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A decisão, apesar de promovida como um avanço geopolítico importante ao país, gerou críticas de organizações ambientalistas, como o WWF-Brasil, que classificou o movimento como preocupante por reforçar a dependência dos combustíveis fósseis e contrariar a necessidade de investir em uma transição energética sustentável.
O Brasil ingressará no Opep+ como membro do fórum de discussões, sem aderir às práticas de cartel da Opep, como cortes de produção para manipular preços. O governo declarou que pretende utilizar o espaço para debater o financiamento da transição energética com recursos do petróleo e ampliar o mercado para biocombustíveis brasileiros.
“É apenas uma carta e fórum de discussão de estratégias dos países produtores de petróleo. Não devemos nos envergonhar de sermos produtores de petróleo”, declarou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

A Opep foi criada em 1960 e inclui os maiores produtores de petróleo do mundo, como a Arábia Saudita e a Venezuela. Além do fórum da organização, o governo confirmou a entrada do Brasil na Agência Internacional de Energia (IEA) e na Agência Internacional de Energia Renovável (Irena).
Repercussão controversa
O Observatório do Clima, instituição que lidera estudos sobre o tema no Brasil, apontou que a decisão contradiz compromissos ambientais, enquanto o Greenpeace alertou para danos à reputação do país como sede da COP30 em novembro. Suely Araujo, do Observatório e ex-presidente do Ibama, destacou que financiar a transição energética com recursos de plataformas já operantes faz sentido, mas expandir a exploração de combustíveis fósseis vai na contramão da necessidade urgente de redução da demanda.
Já o Ministério de Minas e Energia defendeu a adesão do Brasil ao Opep+, afirmando que a participação no grupo está alinhada ao Plano Nacional de Energia 2050. Em nota, o governo brasileiro reforça que usará sua presença nesses fóruns para impulsionar práticas sustentáveis, tecnologias de baixo carbono e captar recursos para a transição energética. O ministro Silveira ressaltou que o país é uma potência energética e deve aproveitar sua diversidade para influenciar o debate global, conciliando segurança energética e descarbonização.

“Os ambientalistas […] têm todo o meu respeito, eu também sou ambientalista, também defendo a preservação do meio ambiente. Trabalho vigorosamente para avançar na transição energética, talvez eu me considere até mais ambientalista que eles”, respondeu Silveira às críticas.
Licença na Foz do Amazonas
O investimento em projetos atrelados ao petróleo já tornou-se o centro de outra polêmica recente do governo brasileiro. A concessão de uma licença para exploração de petróleo na Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, segue em pauta e divide opiniões dentro do próprio governo. Com o anúncio da entrada no fórum de discussões da Opep, a pressão política em torno do tema se intensifica ainda mais, especialmente sobre o Ibama.

Recentemente, o presidente Lula criticou a demora na concessão da licença para a Petrobras perfurar na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá, classificando o processo como excessivamente burocrático e se mostrando favorável à liberação. Assim, a decisão do governo de se alinhar aos maiores produtores de petróleo intensifica preocupações entre ambientalistas, que veem a medida como uma confirmação de retrocesso na agenda climática.
