Obras na BR-319 são retomadas, governo justifica com combater crise ambiental no Amazonas

Por outro lado, a iniciativa é contestada por pesquisadores da área ambiental devido aos significativos impactos que a pavimentação na BR-319 pode provocar em uma das áreas mais conservadas do bioma amazônico

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na noite desta terça-feira (10) que serão retomadas as obras de pavimentação do trecho C da BR-319/AM/RO para combater de forma imediata a crise climática que atinge a região do Amazonas. Para isso, serão investidos R$157,5 milhões. A declaração foi realizada na capital amazonense, local onde o presidente esteve em visita às comunidades afetadas pela seca e incêndios.

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Com aproximadamente 900 quilômetros de extensão, a estrada BR-319 conecta Manaus, no Amazonas, a Porto Velho, em Rondônia. Já o segmento a ser pavimentado vai do quilômetro 198 ao 250 e possui licença ambiental.

De acordo com o Ministério dos Transportes, Lula assinou uma ordem de serviço para início imediato dos trabalhos nos primeiros 20 quilômetros deste segmento. Nos próximos dias, a previsão é de que seja lançado um edital para licitar as obras de mais 32 quilômetros, totalizando 52 quilômetros de asfaltamento.

Caminhao passa por trecho sem asfalto na BR 319 Foto Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Os habitantes do Amazonas dependem sobretudo dos rios para se locomover, porém, com a seca que afeta a região, várias cidades e comunidades indígenas e ribeirinhas acabaram ficando totalmente isoladas.

“Neste país, ninguém será esquecido pela sua condição social. Eu vou cuidar primeiro daqueles que mais necessitam neste país, das pessoas mais afastadas. Eu ouvi hoje pessoas dizendo que o último médico que passou lá foi em fevereiro, que as crianças estão com dificuldade de ir na escola porque o rio baixou.”

Presidente Lula

Posicionamento sobre a BR-319

A pavimentação da parte central da rodovia conta com o apoio do governo estadual e de parlamentares, porém, gera preocupação entre especialistas ambientais, devido aos grandes impactos que a pavimentação pode provocar em uma das áreas mais bem conservadas do bioma amazônico.

No entanto, simbolizando um apoio a um caminho do meio que contemple melhoramentos da infraestrutura com preocupações ambientais em nome de uma estratégia de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam) mudou recentemente seu posicionamento e se encontra a favor das obras:

“O Idesam não é contra a BR-319. Enquanto organização da sociedade civil, atua para promover o desenvolvimento social e econômico e a conservação de florestas na Amazônia brasileira. No caso da rodovia BR-319, o Idesam é a favor da repavimentação através de um processo de licenciamento rigoroso e respeitando a legislação e suas salvaguardas sociais e ambientais.”

Idesam

Posicionamento do setor industrial do Amazonas

O filósofo e professor Alfredo Lopes destacou, na edição de 11/09 da Coluna Follow-Up, que esse compromisso é uma resposta direta à carta entregue pelas entidades industriais do Amazonas, CIEAM FIEAM, que pedem maior atenção do governo federal ao asfaltamento da rodovia e ao desenvolvimento de um Plano Amazonense de Logística e Transportes (PALT), essencial para a superação dos desafios econômicos e ambientais da região.

Leia mais em:

https://brasilamazoniaagora.com.br/2024/pacto-federativo-destravara-br-319/
Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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