Estudo aponta que a falta de conexões mais fortes entre setores impede a otimização de investimentos e o alcance de resultados mais eficazes na bioeconomia amazônica
Diante do cenário de emergência climática e da busca por desenvolvimento sustentável, destravar a bioeconomia é essencial para a preservação da Amazônia, segundo estudo do Idesam. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estima que esse setor pode atingir um potencial de mercado de US$ 7,7 trilhões até 2030.
Financiada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), a pesquisa ressalta a importância de criar hubs e arranjos colaborativos, conectando academia, políticas públicas, setor privado e populações tradicionais.
Segundo Carlos Koury, diretor de inovação em bioeconomia do Idesam, a falta de conexões mais fortes entre esses setores impede a otimização de investimentos e o alcance de resultados mais eficazes no setor. “Em se tratando de bioeconomia, há uma boa quantidade de conhecimento disponível para potencializar cadeias produtivas, mas ainda são poucas as oportunidades de integrar este conhecimento”, destaca em matéria da Exame.
Núcleos de cooperação impulsionam bioeconomia
A proliferação de biohubs – núcleos de coprodução de conhecimento e inovação – tem se mostrado uma estratégia promissora para impulsionar a bioeconomia na Amazônia. Esses clusters de bionegócios não apenas fomentam soluções sustentáveis e inclusivas, mas também facilitam o acesso a mercados e incentivam a transferência de tecnologia e conhecimento entre os diversos setores envolvidos.
Um exemplo citado no estudo é o programa coordenado pelo Idesam, em parceria com a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Por meio desse mecanismo, empresas que se beneficiam de incentivos fiscais são obrigadas a investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Até agora, o programa já mobilizou mais de R$ 146 milhões, envolvendo 40 empresas investidoras e 76 projetos em andamento ou concluídos nos estados do Amazonas, Amapá, Roraima, Rondônia e Acre.
Bioeconomia e preservação
A bioeconomia surge como uma solução promissora para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, aproveitando sua rica biodiversidade, complexidade ecológica e diversidade cultural. Esse modelo valoriza as florestas em pé, os rios e os saberes tradicionais, promovendo uma abordagem que incentiva a coesão entre preservação e progresso socioeconômico.
Com foco em escalabilidade, viabilidade e arranjos colaborativos, esse setor tem o potencial de gerar empregos, preservar a biodiversidade e fortalecer modelos de negócios sustentáveis, beneficiando tanto a população local quanto os povos originários da região.