Bancos privados na Amazônia

Uma forma de operacionalizar as ações propostas é a constituição de um fundo, sob a forma de consórcio privado de financiamento e de venture capital, para apoiar projetos de investimentos relacionados com a preservação, a conservação e a reabilitação dos ecossistemas dos diferentes biomas amazônicos.

Paulo Roberto Haddad
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Joseph Schumpeter (1883-1950), cientista social austríaco, declarou que o seu desejo era ser o maior economista do Mundo, o maior cavaleiro da Áustria e o melhor amante de Viena. Na verdade, deixou um inegável e insubstituível legado intelectual, que até hoje tem influenciado a formulação e a implementação das políticas de desenvolvimento de países e regiões.

Para ele, o desenvolvimento se realiza historicamente através das ondas de inovação de novos processos tecnológicos, de novos produtos, de novos mercados, de novas técnicas de gestão. Daí sinalizar um processo de “destruição criativa” em toda experiência de desenvolvimento, ou seja a substituição dos antigos modos de produzir, de consumir e de investir pelos novos. Destacou, também, o papel do crédito como um meio de financiar a inovação: o desenvolvimento, em princípio, é impossível sem crédito.

Um grupo de bancos privados brasileiros tem manifestado sua responsabilidade social ampliada ao colaborar com ações programáticas para o processo de desenvolvimento sustentável da Amazônia. Não faz sentido, dentro de sua missão institucional, se limitar a apoiar a elaboração de novos estudos e pesquisas sobre a Amazônia que apenas conduzam a diretrizes e recomendações gerais sobre o que fazer para a promoção do desenvolvimento da Região.

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Paulo Roberto Haddad é economista, professor emérito da UFMG, ex-ministro do Planejamento e Fazenda do governo Itamar Franco.

Uma forma de operacionalizar as ações propostas é a constituição de um fundo, sob a forma de consórcio privado de financiamento e de venture capital, para apoiar projetos de investimentos relacionados com a preservação, a conservação e a reabilitação dos ecossistemas dos diferentes biomas amazônicos. Para esse objetivo, é necessário que os projetos sejam avaliados tecnicamente em termos de sua rentabilidade privada e hierarquizados de acordo com a sua taxa interna de retorno social (metodologia Banco Mundial / OCDE) antes de serem encaminhados para decisão dos comitês de crédito e de empréstimos dos bancos privados. As condições de financiamento devem ser adequadas para as características dos projetos e serem oficializadas junto ao Banco Central.

Há, seguramente, algumas dezenas de projetos de desenvolvimento sustentável da Amazônia, que passariam pelos testes das taxas internas de retorno financeiro e de retorno social, identificados por instituições públicas, privadas e do Terceiro Setor para serem promovidas economicamente. São projetos de desenvolvimento sustentável dos recursos ambientais da Amazônia, intensivos de conhecimento científico nos segmentos produtivos dos fitoterápicos, fitocosméticos, madeireiro, piscicultura, floricultura, nutricêuticos / suplementos alimentares, fruticultura, microbiologia, etc., capazes de gerar um processo de destruição criativa nos modelos de negócio vigentes na Região.

É notório como se aprofundou, no atual mandato presidencial, a degradação dos ecossistemas, os quais são considerados tão somente como um mega-almoxarifado de recursos naturais renováveis e não renováveis, de acesso livre passível de “estouros da boiada” e não como um valioso patrimônio nacional. Seria de bom alvidre lembrar o parágrafo 3º, do artigo 225, da Constituição Federal: “As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados”.

Paulo Roberto Haddad
Paulo Roberto Haddad
Paulo Roberto Haddad é professor emérito da UFMG. Foi Ministro do Planejamento e da Fazenda no Governo Itamar Franco.

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