Banco Mundial aponta que destruição da Amazônia e mudança do clima podem levar Brasil à pobreza extrema

O Banco Mundial divulgou nesta 5a feira (4/5) um relatório que aborda os efeitos potenciais da mudança do clima e da intensificação de eventos climáticos extremos sobre a economia e a população brasileira a partir de 2030.

O cenário é para lá de preocupante: a ocorrência cada vez mais frequente de episódios de chuvas e secas intensas pode levar entre 800 mil e 3 milhões de brasileiros à pobreza extrema, com um prejuízo estimado de R$ 13 bilhões (0,1% do PIB de 2022) por ano. Até 2050, o rombo pode superar a marca de 10% do PIB brasileiro, com perdas calculadas de até R$ 919 bilhões.

O relatório ressalta outros aspectos relacionados à crise climática que podem comprometer a maior economia da América Latina, como o desmatamento ilegal na Amazônia, a expansão das áreas de pastagem sobre ecossistemas naturais, e o clima mais seco no Norte e no Centro-Sul do Brasil, o que pode comprometer a agricultura, a geração de energia hidrelétrica e o fornecimento de água potável às maiores metrópoles do país.

Banco Mundial
Tânia Rêgo / Agência Brasil

Outro foco do relatório é apontar caminhos para que o Brasil cumpra com seus compromissos internacionais sob o Acordo de Paris. Nesse sentido, o documento recomenda atenção a quatro temas: reformas estruturais e medidas de aumento de produtividade, políticas econômicas abrangentes para o crescimento mais resiliente e de baixo carbono, políticas setoriais e pacotes de investimentos, e ações para assegurar o financiamento desses investimentos.

De acordo com o Banco Mundial, essas medidas viabilizariam o fim do desmatamento ilegal até 2028 e uma redução de 50% das emissões de gases de efeito estufa do Brasil até 2030 e a descarbonização da economia brasileira até 2050.

“Cumprir a promessa do governo de reduzir o desmatamento ilegal e atingir emissões líquidas zero até 2050 pode resultar em uma redução significativa das emissões de dióxido de carbono, o que ajudaria a preservar ecossistemas vitais para os setores agrícola, energético e urbano”, destacou o relatório. Agência Brasil e Bloomberg deram mais informações.

Texto publicado em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

O compromisso com o Amazonas atravessa as eleições

“Sem vinculação partidária ou eleitoral, o CIEAM tem razões institucionais para cobrar a preservação das garantias da Zona Franca e a transformação dessas conquistas em investimento, emprego e desenvolvimento regional.”

O clima no debate eleitoral e a conta que chega ao Amazonas

"Secas, fumaça e calor afetam a saúde, o abastecimento...

Lula na ONU: a coragem de dizer que o mundo não tem dono

Diante de uma Assembleia transformada em palco para ameaças...

Fumaça em Manaus: ar chega a nível péssimo e focos de calor sobem 282% no Amazonas

Fumaça em Manaus piora a qualidade do ar em diferentes bairros, enquanto focos de calor aumentam 282% no Amazonas.