A falta de árvores, combinada com extensas superfícies pavimentadas expostas ao sol, como o concreto, agrava ainda mais a elevação das temperaturas em determinados bairros e contribui para as ilhas de calor.
Manaus, a metrópole encravada na maior floresta tropical do mundo, vive um paradoxo climático e civilizatório: é uma cidade sem árvores. Não que faltem espécies — ao contrário, a Amazônia abriga mais de 16 mil tipos diferentes de árvores, catalogadas ao longo de décadas por pesquisadores do INPA, cuja coleção botânica é uma das maiores do país. O que falta é decisão política, visão urbanística e sensibilidade cultural para traduzir essa riqueza em infraestrutura verde.
O momento exige visão estratégica, cooperação institucional e capacidade de articulação entre empresas, universidades, trabalhadores e governos. O Polo Industrial de Manaus nasceu justamente dessa convergência de esforços e dessa compreensão coletiva de que a Amazônia precisava de uma base econômica sólida para proteger seu território e gerar oportunidades para sua população.