Amazônia: o reconhecimento verde das oportunidades de investimento

A presença entre nós do Grupo Abril, através da Exame, sua principal revista de economia e negócios, sinaliza o interesse econômico que a ZFM ainda desperta no âmbito de suas vantagens fiscais. Foi esse o sentido do Fórum da Amazônia, realizado na terça-feira, dia 26 último. Mais do que isso, há um interesse sobre as demais oportunidades que aqui se revelam evidentes, apesar das fragilidades de nossos mecanismos de divulgação.

Em recente visita a presidência da Eletros, ora sob a batuta do amazonense Jorge Nascimento Júnior, foi constatado esse filão inexplorado de promoção/divulgação do Amazonas. “Temos o apelo amazônico adicional às vantagens fiscais da ZFM que é a associação entre economia e ecologia”. Investir no Amazonas, nesse contexto, é colaborar ativamente na proteção florestal, evitar que a derrubada das árvores seja a desculpa para a sobrevivência econômica das famílias. Isso coincide com a opinião do staff diplomático do Brasil no Reino Unido. Investir na ZFM é investir em planta industrial bem conceituada junto à OMC e União Europeia.

Outros nichos de negócios

O interesse de novos negócios no âmbito nacional, expresso num dos temas do debate proposto no Fórum Amazônico, como ‘Os Negócios na Capital Verde do Mundo’, foi a indústria 4.0, alternativas e engasgos da política industrial brasileira. Os avanços tecnológicos e as oportunidades advindas com a revolução digital remetem a um dos principais destaques do novo ciclo industrial da ZFM.

Para quem foi criada para montagem final de produtos, praticamente proibida de nacionalizar as tecnologias importadas, no início dos anos 70, a ZFM industrial superou a visão estreita e vesga da União para a Amazônia. Infelizmente, nossas universidades e instituições de pesquisa foram deixadas pelo caminho.

Padecemos de gestores, nossos cientistas dividem seu tempo de laboratório com a administração da penúria orçamentária. Apesar disso, evoluímos em várias direções, embora – como tudo está por evoluir – não focar num único setor, ou num nicho de produto, sem ter uma política global de investimentos para utilizar os recursos que aqui são gerados para a diversificação e inovação tecnológica regional.

O gargalo da infraestrutura

Já tivemos, com o Barão do Mauá, no século XIX, a Companhia de Navegação do Amazonas, com embarcações ajustadas ao mercado logístico de transportes. Com a cabotagem, o Amazonas e demais produtores da Amazônia, fizeram do mercado extrativista sua maior contribuição ao PIB do Brasil, 45% por três décadas. Borracha, Castanha, Madeira, Fitoterápicos, Essências de alto valor comercial, resinas e minérios. Hoje o Brasil está surdo aos problemas logísticos do Amazonas e da região.

Já tivemos um porto público e muitas tentativas de promover a competitividade logístico-portuária da região. O poder público, federal, estadual e municipal, em vários momentos se opuseram à essa obviedade e direito favorecendo grupos locais que não aceitam as regras do mercado capitalista. O gargalo é também digital, energético e rodoferroviário. Já tivemos uma conexão rodoviária, a BR 319. Hoje, voltamos ao isolamento terrestre.

Moeda de troca

Por que o Financial Times, um dos veículos da mídia econômica inglesa, com maior respeito global, deu 5 prêmios a ZFM, incluindo sustentabilidade. Por que a União Europeia reconheceu com estudos acadêmicos a boa relação entre negócios e sustentabilidade no Amazonas representado por sua economia? E é exatamente este o argumento da União Europeia nos deixar fora das sanções previstas aos incentivos fiscais dados ao Sudeste do Brasil para a indústria eletrônica, de informática e automotiva? Temos, sem saber transformar em moeda, uma mercadoria com valor de uso e de troca, o melhor arranjo fiscal do país e uma indústria com baixíssima taxa de emissão de carbono. Este é o nosso melhor negócio que, infelizmente, os gestores focados na moeda do imediatismo político não souberam promover e aproveitar.

Interlocução

Em plena explosão da era digital, nossa interlocução é industrial. A tribo não conversa. Nós não sabemos aquilo que o outro faz nem de onde emana sua base econômica e financeira. Provavelmente, os alunos da UEA desconhecem que a qualificação acadêmica deles é patrocinada pela indústria. Se fosse algo debatido e assimilado com oportuno discernimento, partiria deles mesmos a defesa e o fortalecimento do polo industrial, sua diversificação e Interiorização da atividade econômica. E, mais do que isso, ajudariam na formatação de um projeto ambicioso de enfoque acadêmico de olho no mercado.

O presidente do Cieam, Wilson Périco, sugeriu no Fórum da Amazônia a inserção do Economia do Polo Industrial de Manaus, mantenedor da UEA, uma estrutura curricular para promover a relação inadiável entre economia e academia. Os benefícios daí decorrentes nem precisa especular. Interlocução é a palavra da nova ordem, na busca de construir um Amazonas integrado, cúmplice e participativo na gestão de seu destino.

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]
Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

Artigos Relacionados

Amazônia Inteligente 2026: quem precisa participar

“Mais do que um evento de tecnologia, um chamado...

Startup transforma biodiversidade amazônica em tecnologia que acelera cicatrização

Biodiversidade amazônica impulsiona startup que desenvolve tecnologia para acelerar cicatrização e cria soluções sustentáveis em saúde e bioeconomia.

Super El Niño pode acontecer? Veja o que dizem especialistas sobre o termo viral

El Niño 2026 levanta dúvidas sobre intensidade do fenômeno; especialistas explicam riscos, impactos no Brasil e limites das previsões climáticas.

Florestas africanas já emitem mais carbono do que absorvem, diz estudo

Estudo mostra que florestas africanas passaram a emitir carbono, elevando riscos climáticos e reforçando alerta para a preservação das florestas tropicais.