“Amazonas em discussão nas eleições, com foco na competitividade industrial, na defesa da Zona Franca, nos investimentos em infraestrutura, na soberania e na construção de um modelo de desenvolvimento que articule indústria, ciência e floresta como base do futuro econômico do Estado”
A pauta para a indústria amazonense é relativamente simples. Precisamos melhorar ainda mais as condições para o Estado ser mais competitivo. Para isso, a principal questão é se os candidatos que se apresentam são completamente favoráveis com a Zona Franca de Manaus e seu Polo Industrial. A partir desta base comum, será necessário observar se há uma real preocupação com as pessoas do Amazonas, a partir do reconhecimento do patrimônio natural e antropológico que possuímos. Estes são os aspectos inegociáveis de uma pauta mínima.
A partir disto, é necessário um compromisso intransigente com o investimento nas correções das deficiências históricas de infraestrutura, na ordem de 2,5% do PIB, que poderá ser construído a partir do orçamento público e de Parcerias Público Privadas (PPP). Sem uma pauta robusta de investimentos jamais faremos a transição para uma economia próspera. A transformação social e econômica não surge espontaneamente. Ações no presente fazem a transformação.
Precisamos ampliar o espaço para o Distrito Industrial, dentro da área da Zona Franca de Manaus. Com a implantação da reforma tributária, há a oportunidade de crescer expressivamente a indústria local. Salvo fenômenos macroeconômicos e geopolíticos muito adversos, poderemos dobrar a produção industrial local. Se houver investimento expressivo em educação e na criação de plataformas logísticas complexas, poderemos transformar a região também em polo concentrador para desenvolvimento de tecnologias e, no futuro, para exportações a partir da biotecnologia.
As infraestruturas de transporte não podem criar pedágios. Os estudos concessivos das hidrovias, que foram revertidos, precisam ser transformados em estudos efetivos dos rios. Precisamos adensar a ciência na Amazônia e atrair mais cérebros, em uma estratégia mais focada no uso dos recursos naturais, sem destruição de grandes áreas. Não podemos cair na armadilha que destruiu outras regiões da Amazônia. Precisamos cometer erros distintos aos que foram feitos na rodovia transamazônica. Como exemplo, a BR-319 precisa ser recuperada com proteção atenta de seu entorno.
Decorrente do continuado declínio da Ordem Internacional Liberal e um risco de colapso da estrutura de paz global, a soberania nacional é um dos aspectos mais importantes para termos atenção no momento delicado em que o mundo se encontra. O reforço de uma Base Industrial de Defesa é muito importante. Precisamos nos concentrar na proteção da Amazônia, com armamentos e estruturas tecnológicas que o nosso orçamento permita, na linha da dissuasão e com os aprendizados dos eventos mais recentes na Ucrânia e no Irã. A soberania nacional é inegociável e, para isso, precisamos focar em tecnologias para além das riquezas naturais, para assegurar a integridade territorial.
As hiper-elites econômicas brasileiras precisarão ter muita atenção, pois elas não possuem relevância em magnitude frente as hiper-elites globais. Sendo assim, para não serem engolidas, não convém o alinhamento com o estrangeiro. O mundo de hoje precisa considerar que as conexões que nos protegerão serão antes de tudo internas, pois as estruturas externas seguem com os interesses de sempre: subordinar e extrais recursos das colônias. Precisamos ter a leitura acertada da realidade, para não sermos vitimados pela desatenção ou o descuido. A Amazônia é frágil e, ao mesmo tempo, forte. Depende da forma como nos percebamos e nos imponhamos. O nome Amazonas já diz muito.