Algo de podre em nossa eleição

“Enquanto isso, fazemos de conta que ontem experimentamos a “festa da democracia”. Por isso que alguns de nós (excluo-me deste grupo) querem um “salvador da pátria” que seja autoritário. O que é ruim sempre pode piorar.”

Augusto César Barreto Rocha
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​A distância entre a campanha, com suas promessas, e a atuação política legislativa ou executiva é enorme. Não apenas pelo que vemos, mas principalmente pelo que não vemos em nosso cotidiano, mas vamos pouco a pouco descobrindo, ao pegar um ônibus, entrar em um hospital público ou privado e em todas as interações sociais que precisam da regulação do Governo. É como se fôssemos meros serviçais de uma corte que continua fazendo o que bem quer.

​Algo está errado. Sem o domínio desta questão, fomos ontem encontrar com a urna. Toda vez que voto, reflito o quanto é difícil e incerto escolher.

Augusto Cesar
Augusto César Barreto Rocha é professor da UFAM.

Nunca fiquei feliz com um voto dado a alguém que foi eleito para o executivo. Também não me lembro de ter ficado feliz com qualquer voto dado a alguém que perdeu e se colocou como oposição. Será que a minha amostragem cidadã é muito pequena?

Para citar um aspecto da cidade de Manaus – a tão falada questão dos transportes, reconhecida modernamente como mobilidade urbana – não percebo nenhum dos últimos vereadores ou prefeitos enfrentando o problema como deveriam, se quisessem realmente enfrentar e minimizar este problema. Quem possui profundidade técnica percebe isso e não consegue ter voz ou atuação total. Algo está errado e não é a falta de dinheiro, conhecimento ou de pessoas. Não deve ser muito diferente nos outros campos de problemas.

Fernão Lara Mesquita, no Vespeiro discute o tema – recomendo ao leitor. É muito difícil chegarmos a um modelo, mas enquanto a população ficar presa em um emaranhado de regras para ficar subordinada a um enganador que foi eleito contando uma coisa e que depois fará outra, será difícil ter uma cidade para os cidadãos ou leis para a liberdade. O que encontraremos serão formas de nos amarrar cada vez mais.

O que temos certamente não é democracia representativa – não é à toa que nossa democracia está na posição 52 do mundo, no ranking da EIU – “democracia defeituosa”. Enquanto isso, fazemos de conta que ontem experimentamos a “festa da democracia”. Por isso que alguns de nós (excluo-me deste grupo) querem um “salvador da pátria” que seja autoritário. O que é ruim sempre pode piorar.

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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