ZFM: Acertos e paradoxos fiscais

Os equívocos e gargalos do modelo Zona Franca de Manaus é político, gerencial e de comunicação. Como envolver a opinião pública nacional se, localmente, o cidadão desconhece a história, as conquistas e os gargalos da ZFM? Há mais de três anos, o CIEAM abriu uma fonte de comunicação com o Sul, Sudeste e Brasília para enfrentar o grave gargalo da desinformação – muitas vezes por descaso e, aqui e ali, por má-fé – que coloca a ZFM, este amontoado de acertos e paradoxos fiscais, no mesmo patamar de inconstitucionalidade da guerra fiscal ou da renúncia fiscal que prioriza setores ou atores conectados mais de perto com o núcleo duro do poder. Ao aprovar a prorrogação por mais 50 anos, o Congresso Nacional reconheceu esta iniciativa fiscal do Regime Militar como o mais eficiente e duradouro instrumento de redução das desigualdades regionais. Temos sido tímidos, em contar para a opinião pública nacional as vantagens e contradições da ZFM, transformada em exportador líquido de recursos e recordista, nos últimos três anos, em redução da atividade industrial e redução da oferta desempregos. Essa equação entre confisco dos recursos regionais e desindustrialização galopante tem causalidade intrínseca. A ZFM se enfraqueceu porque teve seus recursos de adensamento, diversificação e regionalização da atividade produtiva levados para outros rincões, beneficiários e interesses, alguns com escassa transparência.

Gestão à distância

Como sobreviver a um confisco que solapa os recursos de infraestrutura. Estudos da SeplanCTI, órgão estatal responsável por planejar e fomentar novos cenários econômicos, demonstram que foram mais de R$100 bilhões repassados aos cofres federais nos últimos 10 anos, dos quais apenas R$ 24,5 bilhões foram aplicados na região no mesmo período. É paradoxal que um modelo de renúncia fiscal, incentivado para reduzir as desigualdades regionais do Brasil, tenha as verbas da Suframa, P&D, interiorização do desenvolvimento, turismo e incentivos de pequenas e médias, um total de R$2 bilhões a cada ano, confiscadas sob a letra do superávit primário, gestão do BNDES, ou custeio da máquina estadual. Deixam –  para os fins que a Lei determina – um resíduo insuficiente para promover as mudanças. Foi essa conduta que esvaziou a Suframa, impedindo que o exercício de suas atribuições fosse vedado por falta de recursos. Embora tenha um Conselho, o CAS, que poderia gerenciar seus gargalos funcionais, o gestor local tem que apegar-se a padrinhos políticos a quem compete à decisão de cumprir, nem que seja parcialmente, os ditames legais.

ZF do Brasil

Ao completar suas bodas de ouro, a ZFM não tem um centavo para organizar no Sudeste o debate de seus acertos, paradoxos e demandas de inserção no sumário da política industrial, ambiental e de ciência e tecnologia do Brasil. Precisamos, para dar uma basta na desinformação crônica ou na má-fé disfarçada, mostrar o perfil industrial/agroindustrial, de comércio e serviços da economia local, seu desempenho no desenvolvimento regional, os benefícios gerados e a integração deste modelo com a economia do país, na perspectiva de comprovar que a ZFM, em última instância, é a Zona Franca do Brasil.  As distorções veiculadas sobre a ZFM, a insinuação enganosa de paraíso fiscal de que a opinião pública nacional precisa saber, se soma ao zelo, do patrimônio natural, até aqui, indireto e fortuito e que precisa ser transformado em política pública regional deste conjunto de acertos que deveria ser chamado de ZF do Brasil.    

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]
Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

Artigos Relacionados

O Amazonas precisa de escolhas à altura de seu povo

"Examinar trajetórias, cobrar preparo e reconhecer o espírito público...

Conheça as propostas de meio ambiente dos candidatos ao governo do Mato Grosso 2026

Conheça as propostas dos principais candidatos ao governo de Mato Grosso para bioeconomia, desmatamento, povos indígenas, energia e clima.

Segurança no trânsito em Manaus: Abraciclo celebra 50 anos em nome da vida

"Na Semana Nacional de Trânsito, a entidade que representa...

O compromisso com o Amazonas atravessa as eleições

“Sem vinculação partidária ou eleitoral, o CIEAM tem razões institucionais para cobrar a preservação das garantias da Zona Franca e a transformação dessas conquistas em investimento, emprego e desenvolvimento regional.”