Relatório do Idesam aponta atuação junto a mais de 5 mil famílias em 2025 e apoio à conservação de 6,9 milhões de hectares, com iniciativas que conectam produção e proteção florestal.
O Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) apoiou cadeias produtivas que comercializaram R$ 18,2 milhões em produtos sustentáveis em 2025. Segundo o Relatório de Impacto da organização, a atuação alcançou 5.058 famílias e abrangeu o apoio à conservação de 6,9 milhões de hectares de floresta tropical.
O balanço registra ainda suporte a 111 negócios, organizações e soluções. As atividades incluem assistência técnica à produção rural, fortalecimento de empreendimentos comunitários e coordenação de investimentos em inovação a partir da biodiversidade amazônica.
Entre 2022 e 2025, o número de famílias com as quais o Idesam atua cresceu 443%. Em relação a 2024, houve expansão de 157% no número de redes de valor e de 152% nas organizações apoiadas, conforme o documento.
Para o diretor técnico do Instituto, André Vianna, os indicadores refletem o fortalecimento da capacidade local de desenvolver atividades econômicas associadas à conservação. “Mais do que números, os resultados alcançados representam pessoas, organizações e comunidades fortalecidas para liderar soluções sustentáveis na Amazônia”, afirma.
Assistência técnica amplia produção de café
O relatório contabiliza 1.390 hectares em processo de restauração por meio de sistemas agroflorestais (SAFs), que associam espécies agrícolas e florestais. O modelo permite recuperar áreas degradadas enquanto mantém atividades produtivas.
Em Apuí, no sul do Amazonas, o Café Apuí Agroflorestal implantou 30 hectares desses sistemas em 2025. Foram plantadas 60.660 mudas de café e 5.456 de espécies florestais, com a entrada de outras 15 famílias na iniciativa.
Uma das produtoras atendidas, Maria Bernadete Diniz da Silva, passou de uma colheita anual de 60 para 200 latões de café após receber orientação técnica para o manejo. Antes, segundo seu relato, o receio de prejudicar as plantas limitava práticas como a poda e a retirada de brotos.
Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, o Projeto de Restauração Ecológica Produtiva registrou 56 sistemas agroflorestais implantados e 35,15 hectares restaurados, com participação de 54 famílias.
Já o apoio às atividades comunitárias de manejo florestal e extrativismo, além da marcenaria e da produção de óleos vegetais, contribuiu para vendas de R$ 3,52 milhões. Nesse conjunto de ações, o documento informa renda média próxima de R$ 2,5 mil por entrega realizada pelos extrativistas atendidos diretamente.
Bioeconomia recebe recursos do Polo Industrial de Manaus
Outra frente de atuação do Idesam é a coordenação do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), política pública da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
Em 2025, o programa captou R$ 45,75 milhões de 17 empresas do Polo Industrial de Manaus. Os recursos vêm de investimentos obrigatórios em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e são direcionados a iniciativas que utilizam a biodiversidade da Amazônia Ocidental e do Amapá.
Ao longo do ano, foram iniciados 15 projetos, com investimentos de R$ 27,77 milhões, abrangendo 24 cadeias produtivas. A proposta é aproximar a pesquisa das demandas de empresas e comunidades para desenvolver produtos e tecnologias.
O período também teve a criação da Zôma, geradora de negócios que auxilia empreendimentos da bioeconomia amazônica na estruturação de suas atividades e na conexão com o mercado.
Organizações comunitárias ganham visibilidade
Na frente de articulação territorial, o relatório do Idesam destaca o lançamento do Painel Redes da Sociobiodiversidade no Interflúvio Madeira-Purus. A ferramenta reúne dados de 77 organizações socioprodutivas distribuídas por 11 municípios amazonenses, com mais de 27 mil membros.
As informações podem subsidiar o acesso dessas organizações a compradores e políticas públicas. Para Neliton Marques da Silva, presidente do Conselho de Administração do Instituto, a participação das populações locais sustenta os resultados da conservação.
“Não há conservação duradoura sem que as comunidades que guardam a floresta sejam protagonistas de suas próprias trajetórias de desenvolvimento”, ressalta.
O balanço integra o planejamento estratégico de 2022 a 2026 e apresenta informações sobre governança e gestão de recursos, incluindo auditoria independente das demonstrações financeiras. A diretora executiva, Paola Bleicker, associa o fortalecimento institucional à continuidade das ações e à ampliação de parcerias. O Relatório de Impacto 2025 do Idesam está disponível em idesam.org/publicacoes.