Brigadistas e indígenas Borari contiveram o avanço das chamas em Alter do Chão, destino turístico da Amazônia, enquanto equipes monitoram a vegetação para evitar novos focos de incêndio.
O incêndio que atingiu a Área de Proteção Ambiental (APA) de Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará, está controlado, mas a região permanece sob monitoramento. Em atualização publicada nesta terça-feira (3), a prefeitura informou que fiscais ambientais e integrantes da brigada local vistoriaram a área na segunda-feira (2) para avaliar a linha de defesa utilizada no combate às chamas. O acompanhamento busca identificar possíveis novos focos e orientar a resposta das equipes.
O fogo começou na noite de sexta-feira (30) e mobilizou bombeiros, voluntários da Brigada de Alter do Chão e indígenas Borari. Durante a madrugada de sábado (31), as equipes contiveram duas frentes de incêndio, a maior delas com aproximadamente 1,4 quilômetro de extensão. Aeronaves também foram utilizadas para lançar água sobre a vegetação atingida.
Conhecida pelas praias de água doce e pelo Lago Verde, Alter do Chão é um dos principais destinos turísticos da Amazônia. A região também é território tradicional do povo Borari, cujos integrantes participaram das ações para proteger a vegetação e impedir o avanço das chamas. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, publicada no domingo (1º), o incêndio atingiu cerca de 58 hectares de vegetação nativa.
Controle do incêndio exige acompanhamento
Os primeiros informes sobre a operação apresentaram diferenças quanto à situação do fogo. Na tarde de sábado, o Corpo de Bombeiros Militar do Pará anunciou que havia extinguido as chamas. A Brigada de Alter do Chão, porém, ainda relatava pontos de fogo na região de floresta próxima ao Lago Verde.
A atualização municipal desta terça-feira mantém a classificação de incêndio controlado na área de Alter do Chão. Na vistoria de segunda, brigadistas e fiscais percorreram o trecho utilizado para conter o avanço das chamas. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) informou que mantém servidores em revezamento e contato com o Corpo de Bombeiros e o Prevfogo.
Em Alter do Chão, a resposta ao incêndio também contou com integrantes da Rede de Brigadas do Tapajós e dos Guardiões do Território Borari. A participação indígena somou-se ao trabalho dos grupos comunitários e das equipes públicas mobilizadas na região.
Causas ainda serão investigadas
A Prefeitura de Santarém informou que as circunstâncias do incêndio em Alter do Chão serão apuradas pelos órgãos competentes. A possibilidade de ação criminosa está entre as hipóteses consideradas, mas não havia confirmação na nota municipal sobre o atendimento à ocorrência.
O município anunciou um levantamento com drone para dimensionar a área afetada e reunir elementos para a investigação. Segundo a prefeitura, eventuais responsabilidades dependerão dos resultados técnicos e dos procedimentos de apuração.
O incêndio ocorreu quando Santarém já mantinha decretos de emergência relacionados à estiagem e ao aumento dos incêndios. Entre as medidas municipais está a proibição do uso do fogo por 180 dias. Antes da ocorrência em Alter do Chão, representantes de órgãos públicos e moradores haviam se reunido, na sexta-feira, para discutir a prevenção e o enfrentamento às queimadas.
O mapa do fogo no Pará em outubro
A ocorrência em Alter do Chão integra um cenário de queimadas que alcança outras áreas do Pará. Entre 1º e 27 de outubro, o estado registrou 11.274 focos de calor, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) citados pelo Ministério Público Federal (MPF).
Nesse intervalo, Uruará concentrou 886 registros, seguido por São Félix do Xingu, com 842, e Altamira, com 694. Portel contabilizou 656 focos e Santarém, 519. O recorte mostra a concentração do fogo no sul e no oeste paraense.
As áreas protegidas também foram atingidas. Na Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, em Altamira, cerca de 4 mil hectares foram afetados pelo fogo, conforme informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) reproduzidas na cobertura sobre a crise no estado.
Em balanço apresentado em 22 de outubro, o governo federal informou que havia mobilizado 522 brigadistas e fiscais no Pará, com apoio de 13 aeronaves e 41 veículos terrestres. A maior parte da estrutura aérea estava concentrada no oeste do estado, onde fica Santarém.
MPF pede coordenação e reforço das equipes
Diante do avanço das queimadas, o MPF recomendou, em 29 de outubro, que a União, o governo estadual e os órgãos ambientais e indigenistas ampliassem a resposta. Uma das medidas propostas foi a criação de um Comitê de Crise Integrado em até cinco dias.
A recomendação também pede reforço operacional e assistência às comunidades atingidas. Os órgãos destinatários têm dez dias corridos para informar se vão cumprir as providências e apresentar documentos sobre as ações adotadas.
Em Alter do Chão, o controle das frentes de incêndio mantém as equipes voltadas à vigilância da área. A prefeitura acompanha os danos ambientais, enquanto a apuração das causas deverá esclarecer como o fogo começou e se houve participação humana intencional.