Estimativa da InfoAmazonia aponta que a Amazônia perdeu, em média, 690 mil árvores a mais por dia sob Bolsonaro do que nos três primeiros anos do atual governo Lula. Dados do Inpe mostram queda do desmatamento desde 2023.
O desmatamento na Amazônia resultou na perda estimada de 690 mil árvores a mais por dia durante o governo Jair Bolsonaro (2019–2022) do que nos três primeiros anos do atual mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O cálculo, feito pela InfoAmazonia, usa as taxas anuais do Prodes, sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Para estimar o número de árvores, a InfoAmazonia multiplicou a área desmatada pela média de 565 árvores por hectare de floresta na Bacia Amazônica, adotada pela iniciativa PlenaMata. Em seguida, dividiu os resultados pelo número de dias de cada período. A diferença de 690 mil árvores é, portanto, uma média calculada, e não uma contagem diária em campo.
Os dados oficiais ajudam a dimensionar a queda do desmatamento na Amazônia, o Prodes registrou cerca de 11,6 mil km² em 2022 e 5.731 km² em 2025, redução próxima de 51%. Cada taxa anual cobre o intervalo entre agosto do ano anterior e julho do ano indicado. O resultado de 2026 ainda não havia sido divulgado.
Meta para 2030 depende da continuidade da queda
O governo federal estabeleceu a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030. Uma proposta para o setor agropecuário, analisada pelo Imazon, considera que ainda poderiam ocorrer 703 km² de desmatamento legal naquele ano. Assim, atingir esse patamar não significaria eliminar toda a derrubada de floresta.
A evolução do desmatamento na Amazônia até lá é incerta. Se a redução média observada entre 2023 e 2025 continuar, a taxa anual chegaria a 703 km² em 2028. Caso siga apenas o ritmo de queda registrado no último ano da série, alcançaria o mesmo nível em 2032. As duas datas são projeções condicionadas à manutenção dessas tendências.
Às vésperas das eleições de 2026, organizações da sociedade civil buscam ampliar o debate sobre políticas ambientais. Dentre elas, a plataforma Vote pelo Clima apresenta candidaturas comprometidas com a agenda climática e socioambiental, com atenção também às disputas para o Legislativo.
Para a coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, o posicionamento de candidatos ao Congresso merece atenção de quem se preocupa com o desmatamento na Amazônia e outros temas ambientais. “É o Legislativo que aprova leis, define o orçamento e pode fortalecer ou enfraquecer os instrumentos de proteção ambiental. Por isso, é importante que o eleitor também observe o posicionamento das candidaturas ao Legislativo em relação à agenda climática e ambiental”, reforçou Suely.