“Na Semana Nacional de Trânsito, a entidade que representa a indústria de duas rodas lança em Manaus a campanha “A Vida Pede”. O convite às escolhas responsáveis nas ruas também abre uma discussão sobre velocidade, infraestrutura e proteção de quem se desloca sobre duas rodas”
Há decisões que duram apenas alguns segundos: reduzir a velocidade antes de uma travessia, deixar espaço para uma bicicleta, esperar a passagem de uma motocicleta, guardar o celular. A Abraciclo escolheu esses gestos cotidianos para sua nova campanha de segurança viária, lançada na Semana Nacional de Trânsito, que se encerra nesta sexta-feira, 25 de setembro. Chamada “A Vida Pede”, a ação procura alcançar motociclistas, ciclistas, motoristas e pedestres com cenas familiares a quem circula pelas cidades brasileiras.
A campanha chega no ano em que a associação completa 50 anos.
Fundada em 1976, a Abraciclo representa fabricantes de motocicletas e bicicletas, com forte presença no Polo Industrial de Manaus. Segundo a entidade, suas associadas geram mais de 21,9 mil empregos diretos na capital amazonense. Essa história industrial tem um desdobramento que se vê nas ruas: quanto maior a circulação dos veículos de duas rodas, mais importante se torna discutir as condições em que são utilizados e a proteção das pessoas que dividem o espaço viário.
Calma, paciência, respeito, responsabilidade, autocontrole, cuidado e atenção são os sete valores escolhidos para orientar as peças digitais da campanha. Para o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, a intenção é estimular mudanças de comportamento que reduzam os sinistros envolvendo todos os usuários das vias. A entidade aposta em vídeos curtos, publicações e figurinhas para levar a mensagem às conversas do dia a dia.
O tamanho do problema exige continuidade depois que a campanha terminar.
Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, citados pelo Atlas da Violência, apontam 37.150 mortes no trânsito brasileiro em 2024. Os ocupantes de motocicletas responderam por 41,6% desse total. Por trás dos números estão famílias, trabalhadores e uma pressão duradoura sobre os serviços de urgência e reabilitação.Há uma contribuição concreta que cabe a cada pessoa, mas a responsabilidade pública também ocupa a rua.
Limites de velocidade coerentes e fiscalizados, travessias seguras, pavimento conservado, sinalização visível, formação de condutores e atendimento rápido depois de um sinistro podem mudar o desfecho de um deslocamento. Para quem trabalha com entregas e passa muitas horas sobre a motocicleta, o debate inclui ainda as pressões de tempo e as condições de trabalho.
Essa agenda diz respeito de perto a Manaus, cidade que fabrica grande parte das motocicletas brasileiras e convive diariamente com os desafios de sua circulação. A conexão entre indústria e mobilidade pode produzir algo além de veículos: conhecimento sobre prevenção, parcerias com escolas e órgãos de trânsito, e acompanhamento público dos resultados. São caminhos para que a experiência acumulada pelo setor ajude a proteger quem usa as ruas.
A mensagem nacional da Semana de Trânsito de 2026, “Desacelere. Seu bem maior é a vida”, encontra a campanha da Abraciclo nesse ponto. A redução da velocidade e a atenção ao outro são escolhas possíveis agora; ruas mais seguras dependem de que essas escolhas encontrem condições para se repetir todos os dias.