Planejar para governar: o Amazonas em debate

O Amazonas vive hoje uma contradição que já não pode mais ser ignorada.

Enquanto sustenta um dos mais importantes polos industriais do país, o Estado apresenta um dos menores ritmos de crescimento econômico da região Norte. Estados vizinhos avançam impulsionados por novas frentes produtivas, enquanto o Amazonas permanece excessivamente dependente de um único motor econômico.

Esse dado não diminui a importância da Zona Franca de Manaus. Pelo contrário. Reforça sua centralidade.

amazonas em debate
Zona Franca de Manaus

Nenhuma economia regional se sustenta, no longo prazo, apoiada em um único eixo produtivo. A insistência nesse modelo, sem a construção de alternativas complementares, aprofunda a vulnerabilidade econômica do Estado e amplia as desigualdades territoriais que já se tornaram evidentes entre Manaus e o interior.

O Amazonas não pode mais adiar a construção de uma agenda de diversificação econômica que dialogue com sua realidade territorial, sua vocação ambiental e as transformações da economia global.

Bioeconomia, cadeias produtivas florestais, aquicultura, fruticultura, indústria de base biológica, turismo sustentável e inovação tecnológica não são temas acessórios. São caminhos concretos para ampliar a base econômica do Estado.

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Mas esses caminhos exigem método.

A apresentação de um Plano Estratégico de Desenvolvimento por uma das lideranças políticas do Estado ganha relevância justamente por isso. Não como solução em si, mas como sinal de que o debate pode avançar para um novo patamar.

  • Se há um plano, é necessário que outros também sejam apresentados.
  • Se há um diagnóstico, ele precisa ser confrontado, aprimorado, discutido.

O Amazonas precisa discutir, com maturidade, como pretende crescer nos próximos anos. Precisa decidir como irá transformar a força da Zona Franca em plataforma de desenvolvimento territorial e, ao mesmo tempo, construir novas bases econômicas que reduzam sua dependência estrutural.

Essa não é uma escolha ideológica. É uma necessidade econômica. E é também uma responsabilidade política.

O eleitorado amazonense, especialmente aquele que vive no interior do Estado, já conhece as consequências da ausência de planejamento. Conhece o custo de modelos que não geram capilaridade econômica nem inclusão social.

Não há mais espaço para soluções fáceis. Não há mais espaço para fórmulas midiáticas. O Amazonas já sabe o que não funciona. E começa, finalmente, a reconhecer o que precisa ser feito. Planejar, neste momento, não é uma opção. É condição para governar.

Belmiro Vianez Filho
Belmiro Vianez Filho
Empresário do comércio, ex-presidente da ACA e colunista do portal BrasilAmazôniaAgora e Jornal do Commercio.

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