Relatório mostra como substâncias químicas sintéticas ligadas à produção de alimentos estão impulsionando doenças crônicas, infertilidade e perdas ecológicas bilionárias.
Um novo relatório internacional aponta que substâncias químicas sintéticas amplamente utilizadas no sistema alimentar estão ligadas a uma série de doenças crônicas e representam uma carga global de saúde de até US$ 2,2 trilhões por ano. O valor é equivalente ao lucro anual das 100 maiores empresas do mundo.
O estudo, coordenado pela consultoria Systemiq e assinado por dezenas de cientistas de universidades como Sussex, Duke e Boston College, focou em quatro classes de compostos: ftalatos, bisfenóis, pesticidas e os chamados “químicos eternos” (Pfas). Essas substâncias químicas estão presentes em embalagens plásticas, luvas descartáveis, agrotóxicos e materiais de contato com alimentos, como papel de fast-food.

Segundo os pesquisadores, a exposição a esses compostos está associada a câncer, infertilidade, malformações, doenças metabólicas e déficits cognitivos. A análise também estima um custo ecológico adicional de US$ 640 bilhões anuais, considerando perdas na produção agrícola e esforços para manter padrões de segurança da água.
A preocupação vai além da saúde individual. Se a exposição a disruptores endócrinos como bisfenóis e ftalatos continuar nos níveis atuais, o mundo poderá registrar entre 200 e 700 milhões de nascimentos a menos até 2100, aponta o documento.
Para Philip Landrigan, pediatra e especialista em saúde pública global, os dados são um “alerta para despertar”. Ele compara a gravidade da poluição química à crise climática, destacando a falta de regulamentação: “O que me apavora é o fato de existirem milhares de substâncias às quais todos estamos expostos diariamente e sobre as quais não sabemos nada”, afirmou.

Desde os anos 1950, a produção de substâncias químicas sintéticas aumentou mais de 200 vezes. Atualmente, mais de 350 mil estão registradas no mercado, a maioria sem avaliação prévia de segurança para uso em larga escala.
Diante desse cenário, os cientistas pedem reformas urgentes nos sistemas regulatórios e mais investimento em alternativas seguras, alertando que o modelo atual é insustentável para a saúde humana, os ecossistemas e o futuro da segurança alimentar.
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