Tecnologia usa mosquitos infectados com bactéria para bloquear a transmissão da dengue, reduzindo drasticamente os casos em áreas urbanas.
Um projeto liderado pelo entomologista Luciano Moreira está transformando a forma como o Brasil enfrenta a dengue. Em Curitiba (PR), uma fábrica inaugurada em julho de 2025, a maior biofábrica de mosquitos do mundo, tem capacidade para produzir até 5 bilhões de Aedes aegypti por ano. Os mosquitos são infectados com a bactéria Wolbachia, que impede a transmissão de vírus como o da dengue, zika e chikungunya.

A estratégia consiste em liberar esses mosquitos, chamados de “wolbitos”, em áreas urbanas. A Wolbachia se instala nas células reprodutivas dos insetos e é passada de geração em geração. Com isso, os mosquitos perdem a capacidade de transmitir doenças. Desde a primeira liberação oficial, em Santa Catarina, a iniciativa vem ganhando apoio e escala nacional.
Luciano Moreira, hoje presidente da empresa Wolbito do Brasil, começou a trabalhar com a tecnologia ainda nos anos 2000, em parcerias com pesquisadores internacionais. Após experiências na Austrália e nos Estados Unidos, ele retornou ao Brasil para desenvolver os primeiros testes na Fiocruz.
No início, a criação dos mosquitos era manual e limitada. Hoje, com uma equipe de 75 pessoas, a fábrica consome mais de 70 litros de sangue por semana para alimentar os insetos e abastecer cidades brasileiras que tenham alta incidência de dengue.

A liberação dos mosquitos já mostrou resultados expressivos: em Niterói (RJ), por exemplo, a queda nos casos de dengue chegou a 89%. Com o reconhecimento oficial da tecnologia pelo governo federal como política de saúde pública, a expectativa é que mais municípios adotem a solução.
Moreira destaca que, diante das mais de 6 mil mortes por dengue registradas em 2024, o foco agora é atender à demanda interna do país. “É gratificante ver meu compromisso com a saúde pública ser compartilhado por toda a equipe”, afirma o cientista.
