“O encontro entre Bio&TIC na Amazônia é metáfora da promissão: um romance em curso, fecundo e de longo prazo, onde cada capítulo depende da coragem de inovar e da capacidade de articular ciência, indústria e sociedade. A floresta em pé se converte em vetor de prosperidade e soberania, enquanto o Polo Digital e o Polo Industrial de Manaus tornam-se plataformas de projeção do Brasil no século XXI.”
Coluna Follow-Up
Artigo de Alfredo Lopes e Vania Thaumaturgo
O evento Inovar na Amazônia, promovido pelo Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) em parceria com a Embrapa, mostra que a região já vive um novo capítulo de sua história econômica. Ciência, tecnologia e empreendedorismo começam a formar um tripé virtuoso capaz de projetar a Amazônia como protagonista global da inovação sustentável. Não se trata apenas de startups promissoras, mas de um movimento estruturante que conecta a bioeconomia da floresta em pé à inteligência digital do polo de tecnologia da informação e comunicação (TIC) de Manaus.
O Polo Digital e sua presença
O Polo Digital de Manaus vem promovendo encontros periódicos que articulam os principais desafios e as promissoras oportunidades do encontro entre bioeconomia e TIC. Destaque para a EXPOAmazônia BIO&TIC, marca consolidada como vitrine da evolução promissora. Essa interseção abre espaço para soluções escaláveis em biotecnologia, rastreabilidade, plataformas digitais de monitoramento, bioinformática e mercados de carbono, com potencial de interiorizar e diversificar a matriz econômica da Zona Franca de Manaus.
Startups como laboratórios vivos
As apresentações de startups como Bioamazon e Biofábrica Ananas, ambas investidas por FIPs geridos pela Bertha Capital, evidenciam como a Amazônia começa a construir um ecossistema de venture capital de impacto socioambiental. Essas experiências demonstram que o DNA da floresta pode ser convertido em patentes, processos industriais, alimentos funcionais e biomateriais de alto valor agregado.
Alguns indicadores confirmam: Crescimento do número de startups de base tecnológica no Amazonas (comparativo últimos 5 anos); Investimentos realizados via FIPs em bioeconomia na região (em R$); Participação da bioeconomia no PIB regional (atual ≈ 2% da produção florestal, com projeções de crescimento);

Cenários confirmam:
Cenário de diversificação: a Bioeconomia integrada ao Polo Industrial pode representar até 10% do PIB da ZFM em 2035, caso haja incentivos fiscais direcionados e abertura de linhas de P&D específicas.
- Cenário de interiorização: Cadeias de valor baseadas em ativos da biodiversidade poderiam alcançar até 50 municípios do interior do Amazonas, com impacto direto em emprego e renda, desde que conectadas a plataformas digitais de logística, certificação e mercado.
- Cenário de adensamento: O uso de TIC para rastreabilidade, blockchain para mercados de carbono e inteligência artificial para bioinformática pode transformar Manaus em hub nacional de inovação verde, atraindo investidores internacionais.

Um romance em andamento
O encontro entre Bio&TIC na Amazônia é metáfora da promissão: um romance em curso, fecundo e de longo prazo, onde cada capítulo depende da coragem de inovar e da capacidade de articular ciência, indústria e sociedade. A floresta em pé se converte em vetor de prosperidade e soberania, enquanto o Polo Digital e o Polo Industrial de Manaus tornam-se plataformas de projeção do Brasil no século XXI.

Alfredo é filósofo, foi professor na Pontifícia Universidade Católica em São Paulo 1979 – 1996, é consultor do Centro da Indústria do Estado do Amazonas, ensaísta e co-fundador do portal Brasil Amazônia Agora
