Nova árvore rara, encontrada apenas no Vale do Rio Doce (MG), a Myrcia magnipunctata reforça a urgência de preservar fragmentos da Mata Atlântica no Brasil.
Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) identificaram uma nova espécie de árvore em um pequeno fragmento da Mata Atlântica, no município de Coronel Fabriciano, no Vale do Rio Doce (MG). Batizada de Myrcia magnipunctata, a planta pertence à família Myrtaceae — mesma de jabuticabas e pitangas — e se destaca por folhas grandes, caules com pêlos marrom-avermelhados e pequenas pontuações translúcidas, que inspiraram o nome científico, que significa “com grandes pontuações”.
A espécie, que pode atingir até seis metros de altura, foi encontrada apenas na comunidade de São José dos Cocais. O achado ocorreu por acaso, durante um monitoramento de espécies raras conduzido pelo doutorando Otávio Miranda, com apoio do Grupo de Estudo em Economia e Manejo Florestal (GEEA) e da empresa de celulose Cenibra, responsável pela preservação da área. A confirmação veio do professor Marcos Sobral, da Universidade Federal de São João del-Rei, especialista em Myrtaceae, que analisou amostras de flores e frutos.
O fragmento onde a árvore foi identificada é monitorado desde 2002 e abriga mais de 200 espécies, sendo cerca de 80 exclusivas do local. Segundo os pesquisadores, trata-se provavelmente de uma espécie microendêmica, ou seja, que ocorre em área geográfica restrita. Eles destacam que a descoberta só foi possível graças à manutenção da vegetação nativa e alertam para ameaças como incêndios, desmatamento e mudanças climáticas, que podem levar à extinção de espécies frágeis. Além da importância científica, o registro reforça o potencial ainda pouco conhecido da flora brasileira e abre caminho para estudos sobre ecologia, anatomia e possíveis usos da Myrcia magnipunctata.

