Em testes laboratoriais, o material de construção sustentável demonstrou capacidade de absorver carbono continuamente por mais de 400 dias
Pesquisadores da ETH Zurich, uma das principais instituições de engenharia do mundo, desenvolveram um material de construção sustentável inovador: um gel fotossintético vivo, capaz de crescer e remover dióxido de carbono (CO₂) do ar de forma contínua. O novo composto, detalhado em artigo na revista Nature Communications, consiste em um hidrogel impresso em 3D, colonizado por cianobactérias, micro-organismos fotossintéticos que existem há bilhões de anos.
Em testes laboratoriais, o material demonstrou capacidade de absorver carbono continuamente por mais de 400 dias, com uma taxa de absorção de até 26 miligramas por grama. Esse desempenho é superior ao de diversas soluções biológicas atuais e comparável à mineralização química usada na captura de carbono por meio de concreto reciclado.

“Criamos um material que está vivo, cresce e ativamente remove carbono do ar”, afirma Mark Tibbitt, professor de Engenharia Macromolecular e um dos líderes do projeto. A estrutura, ao interagir com luz solar, transforma CO₂ em biomassa e ainda promove a formação de minerais que armazenam o gás de forma estável. “É uma dupla captura de carbono”, diz ele em comunicado.
As cianobactérias presentes no material de construção sustentável desempenham um papel fundamental graças à sua alta eficiência fotossintética, mesmo em condições de baixa luminosidade. Essas bactérias também alteram o ambiente químico ao seu redor, facilitando a precipitação de minerais como o calcário. Segundo Yifan Cui, doutoranda e coautora do estudo, esses minerais atuam como sumidouros adicionais de carbono e também reforçam mecanicamente a estrutura do material, contribuindo para sua estabilidade e durabilidade.

O diferencial do projeto está no hidrogel, projetado para transportar luz, água, nutrientes e CO₂ de forma eficiente. Por meio da impressão 3D, os cientistas conseguiram ajustar a arquitetura do material, maximizando sua exposição à luz e otimizando a circulação interna, garantindo que as cianobactérias tenham as condições ideais para crescer, fotossintetizar e capturar carbono de maneira contínua e eficaz.
O material já foi utilizado em instalações vivas apresentadas em eventos internacionais de destaque, como a Bienal de Arquitetura de Veneza e a Triennale de Milão, apresentando estruturas com capacidade de capturar até 18 quilos de CO₂ por ano, o que equivale ao desempenho de um pinheiro de 20 anos de idade. O desafio agora, segundo matéria do portal Um Só Planeta, é ampliar a escala de produção e testar o desempenho do material em condições urbanas reais.

