O fator decisivo para o sucesso dessa transição energética foi a queda expressiva no custo da energia eólica, impulsionada por avanços tecnológicos e pelo aumento da produção em escala no país
A cidade de Helsinque, capital da Finlândia, promoveu uma verdadeira revolução em sua matriz energética nos últimos anos. O local eliminou completamente o uso do carvão para aquecer seus edifícios, encerrando as atividades da última usina movida a esse combustível fóssil quatro anos antes do prazo estipulado pelo governo.
Segundo a FastCompany, Helsinque opera um dos maiores sistemas de aquecimento distrital do mundo — uma vasta rede subterrânea de canos que distribuem água quente para aquecer construções em toda a cidade. Esse sistema exige uma grande quantidade de energia, que, antes dependente do carvão, agora é suprida em grande parte por energia eólica, cuja produção mais do que dobrou na Finlândia desde 2020.

Parte da energia que aquece Helsinque também vem atualmente da queima de pellets de madeira — resíduos do processamento de madeira — usados para substituir o gás natural. No entanto, essa é uma solução temporária, pois além de ser mais cara, a queima da madeira ainda emite CO₂ e pode estimular o desmatamento, o que não é sustentável a longo prazo.
A cidade também aproveita outras fontes de energia, como hidrelétrica, nuclear e, de forma inteligente, calor residual — incluindo o reaproveitamento de calor gerado por data centers e até de águas residuais.
Pontapé da transição energética
Essa transição energética de Helsinque não aconteceu de uma hora para outra. Tudo começou em 2015, com a campanha Coal Free Helsinki, que conseguiu o apoio do conselho municipal para o fechamento da primeira usina a carvão.
O fator decisivo para o sucesso dessa transformação foi a queda expressiva no custo da energia eólica, impulsionada por avanços tecnológicos e pelo aumento da produção em escala. “A energia eólica reduziu tanto os preços da eletricidade que, na verdade, é um bom caso de negócios substituir o carvão por eletricidade”, salientou Olli Sirkka, CEO da Helen, empresa de energia que é uma subsidiária da cidade.

