COP 27 no deserto: faltam comida e água, organizadores compensam na espionagem digital

A alimentação virou um problema crônico na COP 27. Isso se arrasta desde antes da abertura formal da Conferência, no domingo, e não melhorou muito nos dias subsequentes.

Como o Guardian observou, a oferta de comida até aumentou, mas as filas nos poucos pontos de venda continuam grandes. A qualidade das opções alimentares oferecidas também vem sendo criticada.

Outro problema é a falta de bebedouros, o que também contribui para as filas. Curiosamente, o único item que parece não sofrer com a escassez é o sorvete: diversos participantes optaram por se esbaldar na sobremesa gelada como alternativa para se refrescar.

Se falta comida e água, os organizadores da COP 27 compensaram na fiscalização (invasiva, aliás) dos participantes. O aplicativo oficial do evento, disponibilizado pelas autoridades egípcias para smartphones, é um verdadeiro “Cavalo de Troia” da segurança digital.

De acordo com a AFP, os usuários que instalam o app acabam autorizando o desenvolvedor a ter acesso a todos os conectores de comunicação do smartphone, incluindo Bluetooth, GPS, câmera, microfone, agenda de endereços, entre outros.

Uma das preocupações apontadas por especialistas e organizações de Direitos Humanos, como a Human Rights Watch, é quanto ao aplicativo estar sendo indevidamente utilizado pelo governo egípcio. O temor é que, em um país com dezenas de milhares de prisioneiros políticos, a ferramenta seja utilizada para aumentar a repressão.

Texto publicado originalmente por CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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