Carlos Nobre é segundo brasileiro a ser eleito para Royal Society depois de Dom Pedro II

Cientista ingressa como Membro Estrangeiro por seu trabalho ligado aos estudos climáticos na Amazônia. Ele fará parte de rol que conta com nomes como Albert Einstein e Isaac Newton

O climatologista brasileiro Carlos Nobre foi eleito, esta semana, membro da Royal Society britânica, a mais antiga entidade dedicada à ciência ainda em funcionamento. Nobre é pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, diretor científico do Instituto de Estudos Climáticos da Universidade Federal do Espírito Santo e diretor do Projeto Amazônia 4.0/Amazon Third Way Initiative.

Nobre ingressa a Royal Society como Membro Estrangeiro. Ele é o segundo brasileiro na academia. Além dele, o único a figurar na lista de membros, nos mais de 360 anos da entidade, foi o imperador Dom Pedro II, eleito em 1871 não como cientista, mas como membro da realeza.

Nobre é engenheiro eletrônico formado pelo Instituto de Aeronáutica (ITA) e doutor em meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Desde que ingressou como pesquisador no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em 1983, ele está à frente dos estudos sobre a floresta tropical brasileira.

O cientista é responsável pela hipótese da “savanização” da Amazônia, processo sem retorno de transformação da cobertura vegetal da floresta em uma área que se assemelha às savanas africanas ou ao cerrado brasileiro, como consequência das mudanças climáticas e desmatamento. Com o tema, ele ficou conhecido mundialmente e chegou a receber, em 2021, o prêmio da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) de Diplomacia Científica.

Para ele, sua escolha para a Royal Society é uma indicação de que a entidade se volta para os problemas na Amazônia e reconhece a importância da ciência na recondução do Brasil para a rota da sustentabilidade.

“Não que estejamos vencendo esta guerra; está muito difícil. Mas é papel da ciência expor todos os riscos que corremos com o desaparecimento das florestas, dos biomas brasileiros, com o aumento dos extremos climáticos e das queimadas. Tudo isso temos alertado, por décadas”, disse o cientista ao Jornal da USP, veículo que primeiro divulgou a notícia da escolha do nome de Nobre para a academia britânica.

No total, 62 cientistas foram eleitos como membros da Royal Society este ano, sendo que Carlos Nobre é um dos 10 Membros Estrangeiros escolhidos. 

Com a nomeação, ele se juntará a nomes como os de Stephen Hawking, Isaac Newton, Charles Darwin, Albert Einstein e Dorothy Hodgking, que também foram membros da Royal Society.

Fonte: O Eco

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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