Empresas pedem à ONU política mais dura contra a poluição plástica

Manifesto de empresas e instituições financeiras cobra de governos um tratado legal sobre poluição plástica

Mais de 70 empresas e instituições financeiras pediram um tratado juridicamente vinculativo sobre poluição por plásticos. O manifesto foi divulgado nesta sexta-feira, 21 de janeiro de 2021, e manifesto no site plasticpollutiontreaty.org/UNEA.

Esta é a primeira vez que os líderes da indústria defendem uma política tão robusta sobre a poluição plástica. O novo manifesto inclui o reconhecimento explícito da necessidade de reduzir a produção e o uso de plástico virgem, e vem apenas alguns meses antes da UNEA 5.2, onde os estados membros terão uma oportunidade crucial de negociar um tratado.

A declaração aponta a gravidade da nossa atual crise do plástico, que necessita de esforços globais imediatos e combinados que sejam capazes de resolver o problema pela raiz – e também ao longo do seu ciclo de vida, em paralelo com a visão de uma economia circular para os plásticos. 

A pressão sobre a comunidade internacional por um tratado juridicamente vinculativo aumenta: mais de 2 milhões de pessoas em todo o mundo assinaram uma petição da WWF e mais de ¾ dos estados membros da ONU também apoiaram os pedidos por um tratado. 

plástico
Foto: Jasmin Sessler | Unsplash

O manifesto das empresas está fortemente alinhado com uma resolução para estabelecer um mandato de negociação para um novo tratado que foi apresentado para a próxima UNEA por um grupo de 42 países, liderado por Ruanda e Peru.

As discussões sobre o escopo e a ambição do novo tratado proposto estão em andamento e serão cruciais para determinar se este tratado será capaz de cumprir o objetivo de eliminar a poluição plástica.

“A POLUIÇÃO PLÁSTICA NÃO PARA NAS FRONTEIRAS, É UM PROBLEMA GLOBAL QUE EXIGE QUE EMPRESAS E GOVERNOS TRABALHEM JUNTOS EM SOLUÇÕES GLOBAIS.”

Andrew Morlet, CEO da Fundação Ellen MacArthur

“Hoje é a primeira vez que tantas empresas líderes se reúnem e pedem um tratado robusto e juridicamente vinculativo; um que estabeleça regras e regulamentos comuns, estabeleça condições equitativas e crie as condições necessárias para fornecer soluções globais coordenadas. Este manifesto envia uma forte mensagem aos decisores políticos de que agora eles têm uma oportunidade sem precedentes de solucionar o problema da poluição plástica”, explica Andrew Morlet, CEO da Fundação Ellen MacArthur.

“PRECISAMOS DE UMA TRANSFORMAÇÃO ROBUSTA NA FORMA COMO FAZEMOS, USAMOS E REUTILIZAMOS O PLÁSTICO. NÃO É MAIS UMA QUESTÃO DE SABER SE PRECISAMOS DE UM TRATADO SOBRE POLUIÇÃO PLÁSTICA, É MAIS SOBRE COMO ESSE TRATADO DEVE SER FEITO PARA ENFRENTAR A DESENFREADA CRISE QUE TEMOS HOJE.”

Marco Lambertini, Diretor Geral Internacional da WWF
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Foto: Emily Brauner | Ocean Conservancy

O que diz o manifesto

“Essas empresas estão pedindo aos governos que concordem com um conjunto de regulamentos e padrões globais juridicamente vinculativo, incluindo o reconhecimento explícito da necessidade de reduzir a produção e o uso de plástico virgem. Agora, vamos aproveitar o momento que estamos vendo em empresas, governos e sociedade civil para entregar um tratado forte e ambicioso na UNEA”, reforça O Diretor Geral Internacional da WWF, Marco Lambertini.

Em sua declaração, as empresas pediram um tratado que:

  • Inclua políticas upstream e downstream, com o objetivo de: manter os plásticos na economia e fora do meio ambiente, reduzir a produção e o uso de plásticos virgem e dissociar a produção de plástico do consumo de recursos fósseis;
  • Estabeleça uma direção clara para alinhar governos, empresas e sociedade civil por trás de um entendimento comum das causas da poluição plástica e uma abordagem compartilhada para abordá-las. Para empresas e investidores, isso cria condições de concorrência equitativas e evita um emaranhado de soluções desconectadas, ao mesmo tempo em que estabelece as condições adequadas para fazer uma economia circular funcionar na prática e em escala;
  • Forneça uma estrutura de governança robusta para garantir a participação e conformidade dos países, com definições comuns e padrões harmonizados aplicáveis a todos. Isso facilita investimentos para escalar inovações, infraestruturas e proficiências nos países e indústrias que mais precisam de apoio internacional

O manifesto toma como base um relatório da Fundação Ellen MacArthur, do World Wildlife Fund (WWF) e do Boston Consulting Group (BCG), apontando a necessidade de um tratado para combater a poluição plástica, além da importância de se estabelecer padrões globais e garantir que todos os países e negócios estejam cumprindo seus papéis.

plástico oceanos
Foto: iStock

Fonte: CicloVivo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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