Os desafios da transição verde para a indústria automobilística brasileira

boom recente de carros elétricos tem animado montadoras em grandes mercados internacionais, principalmente na Europa, nos Estados Unidos e China. No entanto, a América Latina, e o Brasil em particular, parecem pouco interessados nessa movimentação. As circunstâncias econômicas (ou melhor, o aperto econômico em boa parte dos mercados latino-americanos) explicam em parte o desânimo da indústria automobilística brasileira com os carros elétricos. De toda maneira, a tecnologia está se consolidando no mercado internacional – e o Brasil, mais cedo ou mais tarde, não terá mais como escapar dela.

No Valor, Marli Olmos conversou com representantes do setor dentro e fora do Brasil para abordar como a indústria está encarando esta perspectiva. No caso particular brasileiro, a aposta que se desenha é o aproveitamento das tecnologias de biocombustíveis (em especial, a do etanol) como um caminho de transição entre os motores a combustão e os elétricos, o que facilitaria essa mudança em mercados menos desenvolvidos. Isso permitiria manter uma produção nacional de veículos híbridos e impulsionaria a venda deles para países latino-americanos e mercados similares, como a Índia.

Por falar em biocombustíveis, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu na última 3ª feira (30/11) fixar a mistura de biodiesel no diesel em 10% no ano que vem. A decisão desagradou às usinas de biodiesel, que defendiam a adoção do teor de 13% a partir de janeiro de 2022. De acordo com o Valor, representantes do setor querem uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro para pedir a revisão da decisão. Além da questão legal (os 13% deveriam estar vigentes desde março passado, mas isso não foi respeitado pelo governo), o argumento das usinas é de que o teor de 10% de biodiesel no diesel normal contraria o discurso de sustentabilidade feito pelo Brasil na COP26.

Em tempo: Entrou em vigor na semana passada o Programa Nacional de Bioquerosene, que pretende estimular o uso deste biocombustível pelas empresas aéreas brasileiras. De acordo com a Lei 14.248/2021, sancionada na última 6ª feira (26/11) pelo governo federal, o programa abrangerá o desenvolvimento de tecnologia para mistura do bioquerosene com o querosene de aviação, bem como o desenvolvimento de tecnologias que garantam a substituição total do combustível fóssil no longo prazo. Isso será fomentado por meio de incentivos fiscais e destinação de recursos federais em condições especiais. Na epbr, Nayara Machado trouxe a reação do setor, que enxerga na nova lei um “começo”, mas para o qual falta regulação específica sobre o bioquerosene de aviação, de maneira a dar previsibilidade e segurança jurídica às empresas.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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