Pandemia, migração e cheia dos rios causam crise humanitária no Acre

Desde a semana passada, o Acre está vivenciando uma de suas piores crises sanitárias, precipitada pelo excesso de chuvas dos últimos dias, que causou o transbordamento dos rios e inundou cidades inteiras. Além dos danos causados pelo avanço da água, o estado também está enfrentando um de seus piores momentos na pandemia, com aumento acentuado no número de casos de COVID-19 e a intensificação do fluxo de refugiados vindos da Venezuela e do Haiti.  Maria Meirelles deu detalhes no UOL Ecoa sobre como ajudar as vítimas das enchentes no Acre, através de iniciativas como SOS Acre, do Ministério Público estadual, e SOS Povos Indígenas, liderada pela Organização dos Professores Indígenas do Acre (Opiac) e a Organização Manchineri Tsihi Pukte Hajene (MATPHA) em parceria com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB).

Como o Observatório do Clima explicou, as chuvas registradas na bacia do rio Acre, especialmente no Peru e na Bolívia, elevaram o nível da água em pelo menos cinco rios da região. Os alagamentos desalojaram milhares de famílias e provocaram o fechamento de rodovias, praticamente isolando o estado do Acre do resto do país. Como resultado, os serviços de saúde ficaram sobrecarregados, com falta de insumos e problemas na distribuição de remédios e vacinas. Para piorar, além da pandemia, o estado também registrou um forte aumento nos casos de dengue, colocando mais pressão sobre a rede pública de saúde. “Esse é um exemplo de como situações não climáticas podem ser agravadas por eventos climáticos extremos”, explicou o cientista José Marengo.

Na BBC Brasil, Vinícius Lemos contou o drama da população e dos serviços de socorro, incapazes de dar conta da dimensão do desastre humanitário no estado. Já Carla Aranha fez um panorama da situação na Exame, destacando também os refugiados: eles tinham como destino o Peru, mas o fechamento da fronteira com o Brasil, provocado pela pandemia, acabou impedindo a entrada no país. Mais de 450 refugiados estão acampados na cidade de Assis Brasil, na fronteira do Acre com o Peru.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

O Brasil descobriu que gerar energia limpa não basta

O primeiro leilão nacional de sistemas de armazenamento marca...

Onda de calor nos EUA pode quebrar mais de 90 recordes nesta semana 

Onda de calor nos EUA pode quebrar mais de 90 recordes, manter noites acima de 27°C, ampliar riscos à saúde e pressionar serviços de emergência.

Eleições na Amazônia 2026: Pará chega às urnas com legado ambiental marcado por avanços e contradições

Pará chega às eleições de 2026 com avanços na bioeconomia, queda recente do desmatamento, mas impasses sobre petróleo e povos indígenas.

Mutirão: a metodologia amazônica para equacionar entraves

A Amazônia desenvolveu, ao longo de séculos, uma tecnologia...