Empresas e governo britânico discutem restrições a importações de produtos ligados ao desmatamento

O governo do Reino Unido finalizou ontem (5/10) a consulta pública que fundamentará um projeto de lei que pretende forçar as empresas britânicas a garantir, por meio de sistemas de rastreabilidade, que os produtos importados e vendidos no mercado daqueles países não sejam decorrentes de desmatamento ilegal. O alvo principal da ação é a Amazônia, em destaque nos últimos tempos em virtude do crescimento da taxa de destruição da floresta.

No Valor, Assis Moreira e Daniela Chiaretti explicaram como essa iniciativa pode afetar o agronegócio brasileiro, que perderá acesso a um importante mercado europeu. Mas a situação poderá ficar ainda pior, se depender de um grupo de grandes empresas que operam no mercado britânico – entre elas, a rede de supermercados Tesco, as fabricantes de alimentos Unilever e Nestlé, e a cadeia de restaurantes fast-food McDonald’s. Elas enviaram carta ao governo britânico pedindo que a regra se aplique a qualquer desmatamento, legal ou ilegal. BBC e Reuters destacaram a manifestação dessas companhias.

Obviamente, a questão preocupa o governo brasileiro, às voltas com críticas internacionais à situação ambiental do país. De acordo com o Valor, o Palácio do Planalto insinuou em comunicação oficial ao premiê Johnson que a imposição de qualquer barreira a produtos brasileiros no Reino Unido será questionada pelo país na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em tempo 1: O vice-presidente executivo da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, anunciou que o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul somente poderá avançar caso o Brasil encontre “soluções duradouras” para a situação da Amazônia. A fala foi feita durante uma audição na Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu; Dombrovskis é candidato à comissário de comércio da UE.

Em tempo 2: O Repórter Brasil teve acesso a documentos que mostram que uma das fazendas investigadas pela Polícia Federal por envolvimento em queimadas intencionais no Pantanal é de propriedade do pecuarista Pery Miranda Filho, um produtor com conexões financeiras com o atual governador do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja. A Folha também deu a notícia.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Cientistas descobrem fungos capazes de degradar isopor vivendo dentro de praga agrícola

Pesquisa da UFSCar identifica fungos no intestino de uma lagarta agrícola com potencial para degradar isopor e combater a poluição plástica.

Infovia 5 leva fibra óptica pelo Rio Madeira e deve alcançar 700 mil pessoas

Infovia 5 começa a ser instalada no Rio Madeira e deve ampliar o acesso à internet para 700 mil pessoas no Amazonas e em Rondônia.

Governo usa El Niño para justificar antecipação de termelétricas fósseis

Antecipação de termelétricas custará R$ 4,75 bilhões aos consumidores e ampliará o uso de combustíveis fósseis e as emissões no Brasil.

O acordo Mercosul-União Europeia e a nova geografia da competitividade

Em tempos de guerras tarifárias e reorganização das cadeias...