Solidariedade, a melhor e, talvez, nossa única saída!

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(*) Nelson é economista, empresário e vice-presidente da FIEAM, Federação das Indústrias do Estado do Amazonas e presidente do Sindicato da Sindicato das Indústrias Metalúrgicas Mecânica e de Material Elétrico de de Manaus
Foto: Divulgação/Fieam

Nelson Azevedo (*)
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A história subterrânea do Brasil está apinhada de episódios do poder público, e de suas respectivas oposições, que colocam o interesse público à mercê de objetivos inconfessos, mesmo quando o próprio tecido social sofre danos de extrema gravidade. Como os que vivemos nestes dias. O amontoado de notícias fabricadas, portanto, falsificadas, nos deixam tontos, às vezes cegos e náufragos de tanta enxurrada de desinformação. No limite,  corremos o riscos de nos tornar céticos. Não é por aí. É preciso muito despojamento em favor da coletividade. Mais do que nunca, dada a expansão e sequelas do problema que representa o novo coronavírus, a covid-19, o momento é de comunhão, de somatório de energias, recursos financeiros e tecnológicos, habilidades e muita solidariedade. O contrário será fatal para nossa gente.

Economia, academia e cidadania 

Vemos com muita alegria a Universidade do Estado do Amazonas, com certeza, o maior legado da indústria para nosso Estado, empenhada em produzir um protótipo do bendito aparelho de respiração mecânica que irá salvar, seguramente, muitas vidas se a situação se agravar. O nome disso é parceria entre as empresas, a academia e a sociedade. Poucas coisas são tão abençoadas e motivo de tanta alegria. A produção do conhecimento é uma das iniciativas mais decisivas neste momento.

Produção de salva-vidas 

É ainda gratificante ver empresas saírem de seu roteiro/expertise industrial para produzir salva-vidas, isto é, máscaras, álcool em gel, e outros itens da emergência imposta pela pandemia. No caso do álcool em gel, vital para a assepsia que elimina o vírus, e ausente das farmácias e demais lojas de varejo, são múltiplas as iniciativas, que incluem a própria academia. Uma cadeia produtiva de solidariedade que envolve insumos, embalagens, transporte e administração de prioridades. A maior parte dos atores evitam tornar pública sua identidade. “Que sua mão esquerda não seja testemunha da misericórdia que a mão direita pratica”. É bíblico!

Capitalismo inteligente 

E as iniciativas não param por aí. Institutos de ensino e pesquisa se dedicam a encontrar soluções tecnológicas, empresas doam recursos  em espécies, outras produzem itens para demandas locais e regionais, atendendo estados vizinhos mais desfalcadas de recursos. É isso que se espera, é essa nobreza que se impõe, o espírito público de que padecemos e que tem que ser universal. “Há maior alegria em dar do que em receber”. E isso não é filantropia em seu sentido assistencialista. Isso é partilha na direção do exercício crescente da cidadania. Não podemos esquecer que o modo de produção de riquezas do capitalismo supõe necessariamente o cidadão. Se o capital descuida do trabalho e não prioriza o cidadão consumidor, ele se transforma em especulação estéril. 

Não é liberalidade é necessidade 

Eis porque o anúncio de que, se preciso for, na eventualidade de ampliação da crise, o governo brasileiro pode  liberar mais de  R$ 700  bilhões para o atendimento da população e suporte da economia,  não é liberalidade é necessidade de sobrevivência. Por isso, a comunhão de propósitos, a ampliação da corrente solidária, a distribuição de bens de sustento e outras medidas de âmbito solidário, não tenhamos dúvidas, voltarão para seus promotores. A comunhão é uma permuta sobrenatural de boas energias e precisamos consolidar essa crença benfazeja com atitudes e com acolhimento. 

O joio e o trigo 

Por isso, temos que deitar as armas da vaidade e da egolatria. É insensato praticar o jogo político eleitoreiro num momento em que precisamos eleger a fraternidade como bandeira e o bem comum como nossa única e verdadeira agremiação. E, não temos dúvida, que assim procedendo vamos ajudar o eleitor a separar o joio do trigo na hora de escolher sua representação. E se o momento é de unidade, de intensa e profunda conversão, não temos desculpa de protelação.

Nelson Azevedo
Nelson Azevedo
Nelson Azevedo é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM

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