2021 um ano de competitividade declinante

Quem sabe esta é a bela semente para 2022. Desistir de tudo o que fizemos até agora e começar a caminhar na direção certa. O caminho incluirá respeito pelas pessoas e suas vidas, respeito pela ciência, tecnologia e proteção ao meio ambiente. Tudo isso será temperado pelo empreendedorismo sustentável e local.

Augusto Cesar Barreto Rocha
________________________________

É impossível avaliar com assertividade o desenrolar da história, afinal a visão fica embaçada pela nossa lente e sem o distanciamento das nossas preferências. Quando acontece o que gostaríamos, tendemos a aprovar e reprovamos quando acontece o oposto. Em meio a um mundo repleto de notícias falsas que ganham corpo e ares de verdades absolutas, com pessoas focadas em seus mundos imaginários, vou focar no meu mundo imaginário. Quem sabe a minha imaginação sobre 2021 planta alguma base para um 2022 melhor.

Se olharmos na perspectiva de mortes diárias no Brasil, por conta da pandemia, estamos muito melhor hoje do que no dezembro passado. Mesmo assim, é como se houvesse um avião caído por dia. Uma morte gera sentimento, milhares de mortes geram estatísticas. Muitos de nós perdemos o sentimento pela importância da vida. Esta perda de sentimento provavelmente deixou um impacto negativo no que se refere ao respeito pela ciência e meio ambiente. Uma pena para todos que vivemos na Amazônia, que precisamos muito das duas coisas. No meio de tantas crises, as utopias perdem razão de ser.

As causas da Amazônia não podem ser causas pelos motivos errados. Precisamos de causas com os motivos certos, para que tenhamos a construção de um mundo melhor. Será que conseguiremos? O otimismo é fundamental, mas o encontro com a realidade também é indispensável, pois todos que estamos vivos temos algum boleto para pagar. A conta sempre chega e, por isso mesmo, precisamos gerar receitas.  A questão é: como gerar receitas com baixo impacto? Como maximizar a escala das receitas? Como gerar mais com menos? Este é o desafio posto, tanto para as pessoas, quanto para as sociedades. Como vamos nos unir com este propósito? Não temos conseguido união nem para vacinar a população em meio à uma pandemia. Será que conseguimos nos unir por algo que não seja mesquinho?

Estamos separados e menos competitivos. Há menos recursos para a ciência na Amazônia. Estamos atendendo aos interesses estrangeiros. Isso é uma pena. Interessa ao Brasil preservar e desenvolver a Amazônia. Interessa ao estrangeiro estagnar a Amazônia ou destruir a sua floresta. Interessa ao estrangeiro, proteger e nada fazer com a Amazônia. Temos tido habilidade para fazer o que não nos interessa. Já enxergamos todas as perspectivas do que não nos interessa.

Quem sabe esta é a bela semente para 2022. Desistir de tudo o que fizemos até agora e começar a caminhar na direção certa. O caminho incluirá respeito pelas pessoas e suas vidas, respeito pela ciência, tecnologia e proteção ao meio ambiente. Tudo isso será temperado pelo empreendedorismo sustentável e local. Saber que o que fizemos não serviu já é uma conquista. A consciência do que não serve é muito para quem não tem nada. Obrigado à Deus por esta dádiva. Se nem a dor de tantas mortes servem para o aprendizado, o que mais poderia servir?

Obrigado ao Amazonas Atual e ao BrasilAmazôniaAgora pelos espaços. Estimo um 2022 com mais prosperidade e mais competitividade.

Augusto Cesar 2
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM.
Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

Artigos Relacionados

Indústria que brota da floresta

"O prêmio da Tutiplast, nesse contexto, não reconhece apenas...

Mobilidade que sustenta a economia em tempos de crise energética

"Crise energética em pano de fundo: com o petróleo...

CBA desenvolve biossensor com microalgas que reduz custo e acelera análise da água

Biossensor com microalgas do CBA detecta poluentes em tempo real e reduz custos na análise da água na Amazônia.

Embalagens sustentáveis: papel pode reduzir impacto do plástico nos oceanos

Relatório aponta como embalagens sustentáveis de papel podem reduzir a poluição plástica, mas alerta para desafios ambientais e de inovação.