O valor da escuta e da participação

“É assim que entendo a missão de servir: com coragem para inovar, com humildade para praticar o valor da escuta, e com a esperança de acreditar que, juntos, servidores e sociedade, poderemos construir um Amazonas mais justo, sustentável e fraterno”

A vida pública só encontra sentido quando se abre em diálogo com a sociedade. É nesse princípio que o Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) ancora sua atuação, e é também nesse espírito que celebramos mais uma edição das Rodas de Cidadania, promovida pela Ouvidoria, como parte do Programa de Formação de Agentes de Controle Social (Profac), que neste ano completa uma década.

A cada encontro, reafirmamos que o controle social não é apenas um direito: é também um exercício de cidadania ativa, de responsabilidade compartilhada entre o poder público e o povo. Ao dar voz às demandas da sociedade, aproximamos o Tribunal daqueles a quem servimos e fortalecemos a consciência coletiva em torno de valores que não podem ser negociados: a justiça, a transparência, a equidade e o respeito ao bem comum.

Meio ambiente e responsabilidade coletiva

Não por acaso, o tema desta edição foi o meio ambiente. Estamos às vésperas da COP-30, que será realizada no Brasil, e é nosso dever alinhar o Amazonas às discussões globais sobre mudanças climáticas e sustentabilidade. A floresta amazônica não é apenas um patrimônio natural: é uma escola viva de sabedoria e equilíbrio. Sua preservação depende de escolhas políticas responsáveis, mas também da consciência cidadã de cada um de nós.

Nas Rodas de Cidadania, vimos cursistas do Profac refletirem sobre controle social e meio ambiente, sugerindo soluções para resíduos sólidos, logística reversa, reciclagem, prevenção de queimadas e conservação da fauna e flora. Ali estava a verdadeira democracia em movimento: quando cidadãos comuns se reconhecem como agentes de transformação e gestores do futuro.

valor da escuta
Profac – roda de conversa

Compromisso com servidores e sociedade

Se há uma missão que me move na presidência do TCE-AM é a de inspirar servidores e servidoras a compreenderem sua função como guardiões da cidadania. Somos mais do que técnicos de controle; somos mediadores de confiança entre o Estado e a população. Cada ação pedagógica, cada audiência pública e cada iniciativa de aproximação com a sociedade reafirma nosso compromisso de que o Tribunal existe não para si mesmo, mas para o povo do Amazonas.

Creio firmemente que a participação popular é o caminho mais seguro para construir políticas públicas eficazes. Ao abrir espaço para a escuta, o TCE-AM não apenas cumpre sua função constitucional, mas também planta sementes de consciência coletiva que frutificarão em cidadania, justiça social e preservação ambiental.

Uma visão de futuro

A cada passo do Profac, renova-se uma certeza: nosso trabalho só terá sentido se for capaz de melhorar a vida das próximas gerações. O Tribunal de Contas do Amazonas está comprometido em ser ponte entre Estado e sociedade, entre presente e futuro, entre responsabilidade institucional e sonho coletivo.

É assim que entendo a missão de servir: com coragem para inovar, humildade para ouvir e esperança para acreditar que, juntos, servidores e sociedade, poderemos construir um Amazonas mais justo, sustentável e fraterno.

Yara Amazônia Lins
Yara Amazônia Lins
Yara Amazônia Lins é conselheira e presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) e Diretora da Atricon. Pós-graduada em Ciências Contábeis pela UFAM e reúne um portfólio robusto em Espírito Publico nos seus mais de 40 anos de serviços prestados ao TCE-AM. Em seu atual mandato tem direcionado esforços, dentro das competências do órgão e da função que ocupa, para maiores realizações de valorização da Amazônia e da preservação do Meio Ambiente.

Artigos Relacionados

Chegou a hora de cuidar de nós

Durante muito tempo esperamos que o restante do país...

Flores venenosas podem inspirar remédios contra dor, câncer e malária

Flores venenosas ajudam cientistas a reproduzir moléculas com potencial para desenvolver medicamentos e soluções agrícolas mais sustentáveis.

Projeto prevê recuperar 600 mil hectares de vegetação nativa

Projeto Restaura Biomas pretende recuperar 600 mil hectares de vegetação nativa nos seis biomas brasileiros até 2030.

Quando a Amazônia deixa de produzir seu próprio alimento

"Na Amazônia, essa escolha ajudará a definir se a...

Idesam divulga selecionados para etapa do Desafio Bioinovação Amazônia

Idesam divulga os 50 selecionados do Desafio Bioinovação Amazônia, que desenvolverão soluções sustentáveis para a sociobiodiversidade.