A proibição do uso de sacolas teve engajamento direto da população: moradores pressionaram os legisladores por medidas contra o plástico descartável, motivados por preocupações ambientais
Desde que entrou em vigor em julho de 2020, a proibição de distribuição gratuita de sacolas plásticas em Vermont (EUA) provocou uma queda de 91% no uso desse tipo de embalagem, revela um estudo liderado pelo Centro de Estudos Rurais da Universidade de Vermont (UVM).
A mesma pesquisa, feita com base em entrevistas com 745 moradores do estado, aponta que as sacolas de papel, vendidas por US$ 0,10 cada, registraram um aumento superior 6%.
A proibição em Vermont não apenas reduziu o uso de sacolas, como também desencadeou uma série de mudanças de comportamento entre os consumidores.
O estudo revelou que algumas pessoas passaram a utilizar sacolas de papel após a entrada em vigor da lei. Outros, que antes usavam esse tipo de embalagem, optaram por abandoná-lo quando passou a ser cobrado. Há ainda aqueles que continuaram usando as sacolas de papel, mesmo com o custo adicional.
Além disso, muitos entrevistados já utilizavam sacolas reutilizáveis antes da proibição e mantiveram esse hábito, demonstrando que políticas públicas podem reforçar comportamentos sustentáveis já existentes.
Como a iniciativa ganhou tanto apoio?
O sucesso da proibição das sacolas plásticas em Vermont pode ser atribuído a uma combinação de fatores. Um deles foi o engajamento direto da população: moradores pressionaram os legisladores por medidas contra o plástico descartável, motivados por preocupações ambientais.
Segundo o autor principal da pesquisa, o professor Qingbin Wang , a simplicidade da lei também facilitou sua adoção. Já Emily Belarmino, coautora do estudo, destacou o papel da comunicação. Para ela, o aviso antecipado sobre a nova regra foi crucial tanto para a eficácia da implementação quanto para a aceitação pública. Como resultado, cerca de 70% dos entrevistados avaliaram a legislação de maneira positiva.