As posições dos senadores eleitos na Amazônia sobre exploração mineral colocam em debate a proteção das Terras Indígenas, a fiscalização ambiental e os interesses econômicos.
Entre os senadores eleitos na Amazônia em 2026, 10 foram citados em um levantamento sobre candidaturas relacionadas à defesa do garimpo e da mineração. Distribuídos por seis estados, eles apresentam diferentes posições sobre fiscalização ambiental e exploração mineral, inclusive em Terras Indígenas (TIs).
O levantamento do jornal O Globo aponta 19 candidaturas relacionadas à defesa do garimpo ou a iniciativas de regulamentação da mineração. O cruzamento desses nomes com os resultados das eleições confirma 10 eleitos, ou seja, 55,6% do total identificado.
A lista de senadores eleitos na Amazônia citados no levantamento inclui Márcio Bittar (PL), no Acre, e Lucas Barreto (PSD), no Amapá. No Amazonas, foram reeleitos Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB). Mato Grosso elegeu Mauro Mendes (União Brasil) e Zé Medeiros (PL); Rondônia, Fernando Máximo (PL) e Bruno Scheid (PL); e Roraima, Nicoletti (PL) e Teresa Surita (MDB).
Posições distintas sobre a exploração mineral
As manifestações dos senadores eleitos na Amazônia reunidos nesse grupo não são uniformes. Dentre as posições, encontram-se apoio ao garimpo artesanal, críticas a operações contra atividades ilegais e propostas para permitir mineração em Terras Indígenas.
Em Rondônia, Fernando Máximo (PL) é apontado como autor de um discurso na Câmara dos Deputados em defesa dos garimpeiros do rio Madeira. Na ocasião, Máximo classificou como “falácia” a contaminação por mercúrio associada ao garimpo. Bruno Scheid (PL) também aparece entre os candidatos que se posicionaram contra fiscalizações ambientais ou a favor da mineração em territórios indígenas.
Em Roraima, Teresa Surita (MDB) e Nicoletti (PL) são citados entre os defensores da regulamentação da mineração em TIs. O debate ocorre em um estado marcado pela crise humanitária na Terra Indígena Yanomami, relacionada à invasão de garimpeiros e aos impactos da atividade ilegal.
Entre os senadores eleitos na Amazônia, Mauro Mendes (União Brasil) é associado pelo levantamento a iniciativas favoráveis à mineração durante sua gestão em Mato Grosso. Já Zé Medeiros (PL) defende a regulamentação da exploração em Terras Indígenas condicionada à consulta às comunidades.
No Amapá, Lucas Barreto (PSD) é apresentado como defensor da ampliação da exploração mineral e do Garimpo do Lourenço. Segundo o material, o senador criticou a fiscalização que considera “ostensiva” e afirmou que novos métodos estariam substituindo o uso de mercúrio.
No Amazonas, os dois reeleitos têm posicionamentos distintos no levantamento. Plínio Valério aparece com manifestações explícitas em defesa do garimpo. Eduardo Braga é citado por integrar um grupo de trabalho do Senado sobre regulamentação da mineração em TIs. No entanto, essa participação, isoladamente, não permite atribuir a ele as mesmas posições dos demais.
Debate chega à próxima legislatura
A atuação dos senadores eleitos na Amazônia poderá influenciar a discussão de propostas sobre exploração mineral, proteção dos territórios indígenas e fiscalização ambiental. As posições registradas durante a campanha ajudam a identificar os interesses presentes nesse debate.
O levantamento também apresenta críticas de representantes socioambientais à ideia de que autorizar a atividade seria suficiente para eliminar o garimpo ilegal. Márcio Santilli, presidente do Instituto Socioambiental (ISA), avalia que a legalização do garimpo pode criar espaços de exploração autorizada cercados por operações clandestinas, sem interromper suas conexões com o crime organizado. “Só vai criar um ponto de legalidade num mar de ilegalidades. À sombra da legislação, ela é mais lucrativa e se imbrica com o crime organizado”, afirmou.