Florestas plantadas concentram 85,6% do valor da produção da floresta brasileira, enquanto o extrativismo recua e o açaí amplia sua importância econômica na Amazônia.
A produção da floresta no Brasil movimentou R$ 47,9 bilhões em 2025, alta de 6,7% em relação ao ano anterior. O resultado foi sustentado pelas florestas plantadas para exploração comercial: a silvicultura respondeu por 85,6% do valor total, enquanto o extrativismo vegetal perdeu participação e registrou queda.
Os números são da pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento contabilizou atividade em 4.889 municípios. Apesar do recorde, o valor da produção da floresta ficou distante dos R$ 927,2 bilhões alcançados pela produção agrícola brasileira no mesmo ano. O montante agrícola foi cerca de 19 vezes maior, evidenciando a diferença de escala econômica entre os setores.
Florestas plantadas concentram o crescimento
O valor da silvicultura alcançou R$ 41 bilhões, aumento de 8,6% em relação a 2024. Já a extração vegetal somou R$ 6,9 bilhões, com recuo de 3,1%. Com isso, o extrativismo passou a representar 14,4% da produção da floresta contabilizada pela pesquisa.
As florestas plantadas ocupavam 10,4 milhões de hectares no país. O eucalipto, utilizado principalmente pela indústria de papel e celulose, estava presente em quase 79% dessa área. Somado ao pinus, respondeu por 96,5% da superfície destinada à silvicultura comercial.
Entre os produtos de florestas plantadas, a madeira para fabricação de papel e celulose atingiu R$ 17,6 bilhões, crescimento de 16,3%. Também aumentaram os valores da produção de lenha, em 12,4%, e de carvão vegetal, em 4,6%. A madeira em tora para outras finalidades recuou 3,1%.
No comércio exterior, a celulose gerou US$ 10,2 bilhões com a exportação de 22,2 milhões de toneladas em 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Apesar do aumento do volume exportado, o valor caiu 3,9% em relação ao ano anterior.
Extrativismo perde valor, mas alimentos avançam
A queda da extração vegetal foi acompanhada por redução de 9,6% no valor dos produtos madeireiros. Também houve recuos nos grupos de fibras, borrachas, aromáticos e tanantes.
Pará e Mato Grosso concentraram 60,7% do volume nacional de madeira em tora extraída e 77% do valor desse produto. O Pará permaneceu na liderança, com 4,2 milhões de metros cúbicos, embora a quantidade tenha diminuído 6,5%. Em Mato Grosso, a redução foi de 15,4%.
Os produtos não madeireiros seguiram na direção oposta: seu valor cresceu 9,6%, chegando a R$ 2,6 bilhões. Os alimentos responderam por 82,8% desse total, com R$ 2,2 bilhões e alta de 9,4%.
Açaí extrativo movimenta R$ 1,1 bilhão
Entre os alimentos que integram a produção da floresta, o açaí obtido por extração vegetal alcançou 251 mil toneladas em 2025, aumento de 1,4%. O valor nominal cresceu 15,3%, totalizando R$ 1,1 bilhão. A região Norte concentrou 94,4% da quantidade extraída.
O Pará respondeu por 66,7% da produção nacional, com 167,4 mil toneladas. Embora o volume tenha recuado 0,7%, o valor subiu 12,8%, para R$ 838,6 milhões.
Sete dos dez municípios com maior produção de açaí extrativo eram paraenses. Limoeiro do Ajuru manteve a liderança nacional, reunindo 19,5% do volume brasileiro, mesmo com redução de 2% em relação a 2024.
Os resultados mostram trajetórias distintas na economia florestal: enquanto a silvicultura amplia sua participação e os alimentos extrativos ganham valor, a retração dos produtos madeireiros pesa sobre o desempenho geral da extração vegetal.