Tecnologia europeia integra IA, drones e veículos autônomos para mapear e retirar lixo submerso, enfrentando a poluição marinha em áreas inacessíveis e de alta complexidade.
Grande parte das ações de limpeza dos oceanos ainda se concentra no plástico visível na superfície. No entanto, a maioria dos resíduos permanece fora de alcance, acumulada no fundo do mar. É nesse contexto que sistemas robóticos começam a transformar o combate à poluição marinha.
O projeto SeaClear2.0 foi desenvolvido para atuar justamente nessa camada invisível. A iniciativa integra drones, embarcações autônomas e robôs subaquáticos capazes de localizar e remover detritos em áreas de difícil acesso.
“Uma enorme quantidade de lixo acaba no mar”, afirma Bart De Schutter, professor da Universidade de Tecnologia de Delft e coordenador do projeto. “Muitos projetos visam o lixo da superfície, mas nós focamos no fundo do mar. É importante remover o lixo de lá, porque ele pode contaminar o meio ambiente.”
A operação começa com o mapeamento das áreas contaminadas por drones e veículos de superfície não tripulados. Em seguida, robôs subaquáticos entram em ação, utilizando garras e sistemas de sucção para coletar resíduos como garrafas, pneus e estruturas metálicas. A tecnologia consegue diferenciar lixo de elementos naturais mesmo em ambientes com baixa visibilidade.
Um dos diferenciais do sistema é a logística integrada. Uma balsa autônoma recebe os materiais coletados e os transporta até a costa, reduzindo deslocamentos e aumentando a eficiência. Em testes, já foram removidos pneus, cercas de metal e partes de embarcações.
A urgência desse tipo de solução está no comportamento do plástico no oceano. Ao permanecer no fundo, ele se fragmenta em microplásticos que entram na cadeia alimentar e nos recursos hídricos, um dos principais desafios da poluição marinha. Após esse processo, a remoção se torna praticamente inviável.
Antes dessas tecnologias, a retirada de resíduos submersos dependia exclusivamente de mergulhadores, em operações lentas, caras e arriscadas. A automação amplia a escala e reduz os riscos dessas ações.
O projeto integra a meta da União Europeia de restaurar oceanos e águas, com o objetivo de reduzir o lixo marinho até 2030. Testes já ocorreram em cidades como Marselha e regiões da Alemanha, com novas etapas previstas em diferentes áreas do Mediterrâneo.
Ainda em desenvolvimento, o sistema deve ser concluído até 2026. Durante os testes, surgiu uma aplicação inesperada: a tecnologia também pode ajudar na localização de minas submersas não detonadas.
Ao avançar para o fundo do oceano, os robôs ampliam o alcance das estratégias ambientais e reposicionam o combate à poluição marinha, enfrentando um problema que, até então, permanecia invisível.