A conta de luz, o espírito público e a pobreza energética do Amazonas

“A conta será paga por todos — inclusive os que já vivem na sombra da pobreza energética e da exclusão. Enquanto muitos parlamentares sucumbiram às pressões de lobbies setoriais, o deputado amazonense Fausto Júnior optou por um voto de coerência com a população que representa”

Há mazelas silenciosas que ainda sustentam a desigualdade na Amazônia. Uma das mais perversas é a pobreza energética: a falta ou precariedade no acesso à energia elétrica segura, constante e limpa. No Amazonas, cerca de 30% das comunidades do interior ainda dependem de geradores movidos a combustíveis fósseis, num regime caro, poluente e instável. A ausência de energia afeta escolas, postos de saúde, refrigeradores de vacinas, acesso à informação e, em última instância, a dignidade.

É nesse contexto que o conceito de espírito público precisa ser mais que discurso — precisa orientar as decisões parlamentares. Nesta semana, o Congresso Nacional derrubou vetos presidenciais e reintroduziu dispositivos legislativos que comprometem gravemente a modicidade tarifária da energia. Segundo estimativas, os chamados “jabutis” inseridos no projeto da energia eólica offshore podem gerar um custo de R$ 197 bilhões aos consumidores nos próximos 25 anos.

pobreza energética
(Brunorbs/Getty Images)

A conta será paga por todos — inclusive os que já vivem na sombra da exclusão energética. Enquanto muitos parlamentares sucumbiram às pressões de lobbies setoriais, o deputado amazonense Fausto Júnior optou por um voto de coerência com a população que representa. Em vez de pactuar com medidas que agravam o custo da energia, declarou voto contrário à derrubada dos vetos, posicionando-se ao lado das famílias que enfrentam a dura realidade de um candeeiro aceso por diesel subsidiado.

Num Brasil onde a energia limpa e acessível deveria ser instrumento de justiça social, o voto de Fausto Júnior é um gesto de resistência ética. Não se trata apenas de economia, mas de humanidade. Não se trata apenas de planilhas, mas de prioridades. Espírito público é defender o que é justo, mesmo quando o caminho mais fácil aponta para o outro lado.

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