Ataques a infraestruturas estratégicas interrompem produção e expõem fragilidades na cadeia de energia, ampliando riscos econômicos e ambientais ligados ao petróleo no Oriente Médio por anos.
A reconstrução das infraestruturas de petróleo e gás no Oriente Médio após os recentes ataques envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel deve se estender por anos e custar bilhões de dólares, com impactos diretos no abastecimento global de energia e no cenário do petróleo no Oriente Médio.
O levantamento da consultoria Rystad Energy estima que os danos já somam cerca de US$ 25 bilhões (R$ 131 bilhões), valor que pode crescer à medida que novas avaliações forem realizadas. As estruturas afetadas incluem unidades de gás natural liquefeito (GNL), refinarias, terminais de combustíveis e instalações de conversão de gás em líquidos, espalhadas principalmente pelo Golfo Pérsico.
O conflito provocou interrupções relevantes na oferta global de combustíveis fósseis, elevando os preços internacionais do petróleo e do gás e pressionando cadeias de abastecimento dependentes desses insumos, com efeitos diretos sobre o petróleo no Oriente Médio e sua relevância estratégica.
Entre os casos mais críticos está a cidade industrial de Ras Laffan, no Catar, considerada um dos maiores polos de GNL do mundo. Danos em duas unidades reduziram cerca de 17% da capacidade produtiva do país, o equivalente a aproximadamente 12,8 milhões de toneladas por ano. A retomada total das operações pode levar até cinco anos, principalmente devido à escassez global de turbinas a gás e ao longo prazo de entrega desses equipamentos.
No Irã, o campo de gás de South Pars também enfrenta dificuldades significativas. Sanções e restrições comerciais limitam o acesso a fornecedores ocidentais, obrigando o país a depender de empresas locais e chinesas, alternativa viável, mas mais lenta e onerosa.
Outros países da região também registraram prejuízos. No Bahrein, a refinaria de Sitra sofreu danos em unidades essenciais e precisou interromper operações. Já Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait e Iraque tiveram impactos mais moderados, embora ainda relevantes para a estabilidade regional do setor energético.
Especialistas apontam que a velocidade da recuperação não dependerá apenas de investimentos financeiros, mas também de fatores estruturais, como disponibilidade de equipamentos, capacidade industrial e acesso a cadeias globais de suprimentos. Em muitos casos, a reconstrução deve competir com projetos já em andamento, ampliando prazos e custos.
Diante desse cenário, analistas destacam a necessidade de coordenação entre governos, empresas e parceiros internacionais para mitigar os efeitos da crise e evitar um prolongamento das restrições na oferta global de energia, o que pode aprofundar as incertezas em torno do petróleo no Oriente Médio nos próximos anos.