O que move o Amazonas: Covid, guerra e decretos

O governo federal por decreto promoveu recentes mudanças no tributo IPI para o país, e a Zona Franca de Manaus e as novas matrizes econômicas para o Amazonas voltaram a ser discutidas, embora sua importância não tenha diminuído. Se não houver decretos, a segurança jurídica da ZFM pode voltar ao discurso secundário, mesmo tendo o elevado grau de importância que tem.

Por Juarez Baldoino da Costa
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Em janeiro de 2021 durante a pandemia da COVID-19 houve acusações de que a demora da tramitação do processo que analisa a viabilidade ou não de reconstrução da rodovia BR-319, contribuiu para agravar os problemas de saúde do Amazonas por falta de oxigênio que viria pela rodovia. A pandemia cedeu a partir de então, e a importância da BR-319, pela ausência de notícias que se tem observado atualmente, também cedeu, sinalizando que foi reenquadrada numa prioridade menor da agenda política.

Se a Rússia não invadisse a Ucrânia, o assunto do potássio do Amazonas e seus reflexos econômicos certamente não teria o destaque que recebeu nas falas de diversas personalidades. O tema é da década passada e sempre foi importante, muito antes da guerra. Quando a guerra acabar, e que acabe já, talvez o nosso potássio passe a ser tratado com menor destaque, já a Rússia pode regularizar os embarques dos fertilizantes.

O governo federal por decreto promoveu recentes mudanças no tributo IPI para o país, e a Zona Franca de Manaus e as novas matrizes econômicas para o Amazonas voltaram a ser discutidas, embora sua importância não tenha diminuído. Se não houver decretos, a segurança jurídica da ZFM pode voltar ao discurso secundário, mesmo tendo o elevado grau de importância que tem.

Se não houver guerras, pandemia e decretos, parece que o Amazonas segue um ritmo mais lento.

Na margem direita do Rio Solimões, antes da curva de 90º que banha a beirada do Badajós, acima de Codajás, há um remanso, entre outros tantos, que retém e libera lentamente suas águas para a agitada correnteza para seguirem seu curso até morrer em Manaus, onde nasce o Rio Amazonas.
Uma embarcação, estando no remanso, só chega à correnteza se for impulsionada.

O Amazonas precisa de datas e ações próprias se quiser sair de seu remanso, a menos que se contente em esperar pela próxima guerra, pela próxima pandemia ou pelo próximo decreto.

Juarez Baldoino da Costa 2
Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.
Juarez Baldoino da Costa
Juarez Baldoino da Costahttps://brasilamazoniaagora.com.br/
Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.

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