Quase R$ 300 mi em multas ambientais podem prescrever em 2022

A paralisia institucional que afeta o IBAMA sob o atual governo ameaça rasgar R$ 298 milhões em multas ambientais até o final do ano, quando poderão prescrever. O número foi obtido pela BBC Brasil, por meio da Lei de Acesso à Informação. De acordo com o levantamento, pelo menos 2.297 multas estão nessa condição, mas o risco pode ser ainda maior, já que o próprio governo reconhece que mais de 90 mil autuações seguem paralisadas dentro do IBAMA.

Em parte, o enfraquecimento institucional do IBAMA neste governo, com perda de orçamento e de pessoal, tornou mais difícil o processamento destas multas. Ao mesmo tempo, a burocratização excessiva imposta pelo atual governo ao processo tornou-o ainda mais lento. Em 2019, criou-se uma etapa de “conciliação” antes do julgamento da multa, na qual IBAMA e infrator(es) dialogam para chegar a um acordo; na prática, isso serviu apenas para paralisar o processo de autuação e beneficiar infratores com a prescrição de suas multas.

O impacto financeiro desta paralisia já está sendo sentido no IBAMA. No ano passado, ao menos 649 multas prescreveram, totalizando R$ 144 milhões que deixaram de ser cobrados de infratores ambientais. Muitas delas eram multas de grande porte, na casa dos milhões de reais. Mas o impacto vai muito além do valor não arrecadado: a impunidade empodera os infratores, que ganham incentivos para continuar destruindo o meio ambiente e desrespeitando as leis ambientais. “É um prejuízo impossível de mensurar. É como se zerasse o efeito de tudo que foi feito”, lamentou um servidor do IBAMA à reportagem.

Por falar em orçamento de governos, a CartaCapital destacou dados de uma análise recente do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC) sobre o financiamento da política socioambiental no Brasil. Em particular, chama a atenção o dado sobre desembolsos do Fundo Amazônia, paralisado desde 2019 por picuinhas de um ex-ministro do meio ambiente com os governos doadores de Alemanha e Noruega: dos R$ 4,8 bilhões que passaram pelo Fundo (R$ 3,4 bi depositados pelos doadores, além dos rendimentos), somente R$ 1,43 bilhão foram efetivamente desembolsados. Existem 56 projetos apresentados formalmente ao Fundo que continuam sem análise, prejudicados pela ação temerária do governo que resultou no congelamento do mecanismo de financiamento. A IstoÉ também abordou os dados.

Texto publicado originalmente em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Inmetro reposiciona a regulação como aliada da competitividade na Amazônia

"Aproximação com o Polo Industrial de Manaus, expansão da...

Do silêncio à dignidade: dois anos de escuta, compromisso e transformação

"Dois anos de escuta que transformam silêncio em proteção,...

Facções na Amazônia transformam crimes ambientais em negócio lucrativo

Estudo revela como facções na Amazônia exploram crimes ambientais, ampliam lucros ilegais e intensificam conflitos e impactos socioambientais.

Entenda como o futuro do planeta passa pela mineração em terras indígenas

Mineração em terras indígenas cresce com demanda por minerais críticos e expõe conflito entre clima, economia e direitos territoriais no Brasil.