Com o Instituto Terra, Sebastião Salgado transformou mais de 700 hectares de terra degradada no Vale do Rio Doce em um exemplo mundial de reflorestamento e restauração ambiental
Artista e ativista, o aclamado fotojornalista brasileiro Sebastião Salgado, considerado um dos mais importantes do mundo, faleceu hoje aos 81 anos. Salgado deixa um legado sólido na fotografia documental e na luta pelo meio ambiente, em especial, pela Amazônia. A notícia foi confirmada pelo Instituto Terra, organização não-governamental que fundou ao lado da esposa Lélia Wanick Salgado, em 1998.

Nascido em Aimorés, Minas Gerais, em 1944, Salgado formou-se inicialmente em Economia, mas descobriu sua verdadeira vocação em 1973, quando trocou os relatórios por uma câmera fotográfica. Seu estilo único de registrar o mundo, feito inteiramente em preto e branco, imortalizou a condição humana, o trabalho e a natureza com uma profundidade ética e estética marcante na história da fotografia.

Projetos como “Trabalhadores”, “Êxodos”, “Gênesis” e “Amazônia” consolidaram sua reputação como um cronista visual por mais de 120 países.

Luta pela Amazônia
Para Sebastião Salgado, sua vida e crenças estavam diretamente conectadas com sua linguagem, a fotografia. Em entrevista à CNN Brasil em 2022, período em que sua exposição “Amazônia” estava em cartaz, ele ressalta que o bioma o impactou profundamente, levando-o a unir seu objeto de inspiração artística a um propósito ainda maior de luta ambiental pela preservação da floresta e das culturas amazônicas.
“Eu vi que estava havendo uma predação imensa do território. Então resolvi, como brasileiro, abdicar alguns anos da minha vida para realizar um trabalho sobre o bioma amazônico. A exposição não é só das comunidades indígenas, é também delas.”
-Sebastião Salgado para CNN Brasil

Assim, movido pelo princípio de que “a fotografia é o espelho da sociedade”, Salgado seguiu o objetivo que buscou com meio século de trabalho, concentrado nos últimos anos na proteção da natureza: retratar a Amazônia para o mundo e questionar sua destruição.

Mas o fotojornalista ainda foi além da fotografia: com o Instituto Terra, transformou mais de 700 hectares de terra degradada no Vale do Rio Doce em um exemplo mundial de reflorestamento e restauração ambiental por meio do plantio de milhões de árvores. O trabalho é acompanhado de medidas que promovem educação ambiental e desenvolvimento rural sustentável.
Em conjunto com a esposa, Lélia Wanick, fez com que mais de 2,5 milhões de árvores nativas fossem plantadas na primeira Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) em recuperação no Brasil. Segundo o portal Casa e Jardim, o projeto começou quando Salgado decidiu transformar uma fazenda adquirida por sua família em Minas Gerais, que se encontrava em um cenário preocupante de degradação ambiental.

-Sebastião Salgado
