Marina Silva deixa ministério do Meio Ambiente com queda histórica do desmatamento na Amazônia

Em balanço de 39 meses, Marina Silva destaca reconstrução institucional, aumento de orçamento e queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, com impacto direto nas emissões. 

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, deixou o comando da pasta nesta quarta-feira (1º), após apresentar um balanço de sua gestão iniciada em janeiro de 2023. Em discurso de mais de 50 minutos, em Brasília, Marina Silva destacou avanços na recomposição institucional do ministério e na redução do desmatamento em biomas estratégicos.

Segundo a ministra, ao assumir o cargo, encontrou uma estrutura fragilizada, que exigia reconstrução em diversas frentes. Ao longo de 39 meses, a gestão ampliou a capacidade operacional do sistema ambiental federal, com a incorporação de mais de 1,5 mil servidores distribuídos entre órgãos como Ibama, ICMBio e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

O fortalecimento institucional também foi acompanhado de aumento expressivo de recursos. O orçamento anual do ministério cresceu 120%, passando de R$ 865 milhões, em 2022, para R$ 1,9 bilhão em 2025. Para Marina Silva, esse avanço foi essencial para recuperar a governança e ampliar a execução de políticas públicas ambientais.

Os resultados, segundo ela, já aparecem nos indicadores. Em 2025, o desmatamento na Amazônia caiu 50% em relação a 2022, enquanto no Cerrado a redução foi de 32,3%. A diminuição da devastação evitou a emissão de 733,9 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Dados mais recentes indicam a continuidade dessa tendência, com nova queda de 33% na Amazônia e de 7% no Cerrado entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026.

A expansão agrícola e pecuária nas proximidades e dentro da Amazônia Legal tem impulsionado o desmatamento
Foto: Picture Aliance Zuma Press Wire

A ampliação das ações de fiscalização também foi destacada. As operações do Ibama na Amazônia cresceram 80%, enquanto as do ICMBio avançaram 24%. No mesmo período, aumentaram as áreas embargadas e houve redução de 50% da mineração ilegal na região.

Ao encerrar sua fala, Marina Silva defendeu a continuidade das políticas ambientais sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva e a nomeação de João Paulo Ribeiro Capobianco para o ministério. “Não existe civilização se o negacionismo prevalece. Se prevalece, talvez não exista nem planeta.”

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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