Do tronco tupi ao digital: apps ajudam a manter vivo o nheengatu na Amazônia

Idioma indígena originado do tronco linguístico tupi com influência do português, o nheengatu já foi o mais falado na Amazônia e atualmente ainda é utilizada por uma população estimada entre 6 mil e 30 mil indígenas e ribeirinhos

O nheengatu, um idioma originado do tronco linguístico tupi com influência do português, já foi o idioma mais falado na Amazônia e atualmente ainda é utilizada por uma população estimada entre 6 mil e 30 mil indígenas e ribeirinhos, principalmente no Brasil, Colômbia e Venezuela. Para ajudar na preservação e no ensino do idioma, dois aplicativos se dedicam a manter a história e tradição da língua vivas entre os povos brasileiros.

O primeiro deles é o Nheengatu App, lançado em 2021 com o apoio da Lei Aldir Blanc e da Secretaria de Cultura do Pará. Desenvolvido por Suellen Tobler Almeida, graduada em tecnologia de análise de sistemas e mestranda na Universidade Federal do Paraná (UFPR), o aplicativo oferece exercícios, imagens, áudios e canções para facilitar o aprendizado da língua.

O segundo, anunciado este ano, foi uma encomenda da IBM, concretizada pelo engenheiro da computação Tiago Fernandes Tavares e por um grupo de alunos do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).

Os alunos Vitor Bandeira e Gustavo Pacheco, da equipe que desenvolveu o aplicativo de ensino do idioma indígena.
Os alunos Vitor Bandeira e Gustavo Pacheco, da equipe que desenvolveu o trabalho | Foto: Reprodução/Insper

Ainda sem site oficial, essa nova ferramenta integra tradutores, dicionários e corretores ortográficos, com o objetivo de facilitar a produção de textos no idioma nheengatu.

Em ambos os projetos, os desenvolvedores apresentaram versões preliminares para indígenas voluntários, buscando sugestões e ajustes para garantir a fidelidade cultural e linguística das aplicações. A base de apoio de dados utilizada pela companhia foi uma tradução da Bíblia para Nheengatu.

Posteriormente, segundo o Insper, é possível que o aplicativo seja disponibilizado em open source para uso em outros idiomas e contextos. Também está em estudos a possibilidade de permitir ao usuário inserir informações em outros formatos, como áudio, fotos e vídeo. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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