IBAMA quer reparação de Belo Monte por danos à ribeirinhos

Reportagem da série Planeta em Transe, da Folha de S.Paulo, realizada na região afetada pela usina de Belo Monte, no rio Xingu, abordou a realidade enfrentada por milhares de moradores de comunidades ribeirinhas e indígenas que tiveram seus modos de vida e suas relações com o território impactados pelo início das operações da hidrelétrica.

Insegurança alimentar e mudanças na dieta devido à ausência de peixes – antes abundantes na região -, migração, endividamento (impossibilitando até o pagamento das contas de luz) e adoecimento compõem o pacote de impactos negativos que atingem em cheio populações do médio Xingu a jusante da usina construída na região de Altamira (PA).

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FOTO DE LUCAS NINNO

Sempre é bom lembrar que, em 2021, a usina contribuiu com apenas 5% da demanda nacional de energia.

Parecer técnico IBAMA

O texto corrobora, por meio das narrativas, o que já havia sido apontado por um parecer técnico do IBAMA de junho deste ano: a necessidade de reparação em dinheiro devido aos “períodos de atraso e interrupções nas ações de mitigação” dos efeitos do represamento das águas do rio Xingu na vida das comunidades. O parecer apontou, ainda, as consequências do “adoecimento do rio”, já que, com o controle de vazão de água, a riqueza biológica e o ecossistema foram severamente afetados.

Embora a Norte Energia diga que cumpre “rigorosamente” todos os compromissos estabelecidos, o processo de reassentamento ainda não foi finalizado e tarda a liberação de recursos para mitigação dos impactos.

O atual presidente, que inaugurou a obra em 2019, paralisou o Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu (PDRSX), como apontou um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU). O Plano havia sido criado em 2010 para compensar os impactos socioambientais da construção da usina hidrelétrica. Desde então, parte dos ribeirinhos estão “a (não) ver navios”.

Em tempo: Discursos de ódio, misóginos e racistas viraram rotina entre as candidatas indígenas que disputaram vagas no Congresso Nacional pelo estado do Amazonas – o mais indígena do país. De 16 candidaturas ao legislativo, metade foi de mulheres. Nenhuma foi eleita. Detalhes da violência sofrida foram retratados por reportagem assinada por Jullie Pereira, de Abaré Jornalismo, e publicada no site da revista AZMina.

Texto publicado originalmente em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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