Amazônia e a herança judaica: Eli Minev, o ariá e o futuro sustentável

“Celebrar Eli Minev é celebrar também o legado de dois séculos de presença judaica na Amazônia — um patrimônio vivo de conhecimento, coragem e visão, agora renovado pelas mãos de um jovem que acredita, como seus antepassados, que a floresta em pé é a melhor herança que se pode deixar.”

Dois séculos de presença judaica na região se renovam na trajetória de um jovem pesquisador que une tradição, ciência e compromisso social, apoiado por instituições que acreditam na floresta em pé.

A história judaica na Amazônia é um rio que corre há mais de duzentos anos, alimentado por valores de resiliência, ética no comércio, saber técnico e compromisso comunitário. De Belém a Manaus, de Iquitos a Santarém, famílias chegaram trazendo não só mercadorias, mas também um pacto silencioso: prosperar sem destruir. Criaram negócios, abriram caminhos fluviais, contribuíram para a educação e a cultura, sempre em diálogo com os ciclos da natureza.

É desse mesmo tronco de valores que brota a iniciativa de Eli Minev Benzecry, 17 anos, estudante manauara cuja entrevista ao Correio Braziliense (4 de agosto de 2025) revela um projeto exemplar: resgatar o uso do ariá, tubérculo tradicional da Amazônia, como alternativa nutricional contra a insegurança alimentar. A ação já beneficia mais de 500 famílias, engajando comunidades na produção, cuidado com o solo e distribuição colaborativa — um modelo que transforma memória cultural em solução concreta.

colheita de batata
Ariá, tubérculo tradicional da Amazônia

O projeto ganhou alcance e reconhecimento com o apoio de instituições que investem em juventude e ciência: a *International Science and Engineering Fair (ISEF)*, nos Estados Unidos, onde Eli apresentou seu trabalho; a *Fundação Matias Machline*, celeiro de formação técnica e cidadã; e a *Society for Science*, que ampliou sua rede internacional e o reconhecimento acadêmico. Essas parcerias não só fortaleceram a pesquisa, como também ofereceram a estrutura para que ela se transformasse em impacto social duradouro.

Assim como os pioneiros da comunidade judaica amazônica que ajudaram a moldar a economia regional sob a lógica da floresta em pé, *Eli Minev* prova que é possível empreender e inovar sem abrir mão do compromisso com a vida. Seu projeto é herdeiro de uma tradição que sabe multiplicar sem esgotar, e aponta para um futuro em que prosperidade e biodiversidade caminham juntas.

Eli Minev
 Eli Minev-Benzecry e a avó, Nora Benchimol Minev. (Michael Dantas/Divulgação)

Celebrar Eli é celebrar também o legado de dois séculos de presença judaica na Amazônia — um patrimônio vivo de conhecimento, coragem e visão, agora renovado pelas mãos de um jovem que acredita, como seus antepassados, que a floresta em pé é a melhor herança que se pode deixar.

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O Ariá em Fatos e Datas

Ficha Técnica

  • Nome científico: Goeppertia allouia (sinônimo Calathea allouia)
  • Origem: América do Sul e Central, cultivado há mais de 9 mil anos
  • Textura: Similar à batata
  • Sabor: Próximo ao milho verde
  • Valor nutricional: Rica fonte de carboidratos complexos, amido de alta digestibilidade, fibras e minerais
  • Modo de preparo: Cozido, assado ou em receitas doces e salgadas
  • Produção: Bem adaptado a sistemas agroflorestais, resistente a pragas e com baixo impacto ambiental

Curiosidades Culturais

  • Possui nomes diferentes em pelo menos 20 países da América do Sul e Central. Em 19 povos indígenas da Pan-Amazônia, recebe denominações distintas conforme a língua e a tradição culinária. Já foi um alimento amplamente consumido na Amazônia, mas desapareceu das feiras e mesas urbanas nas últimas décadas. Sua reintrodução é vista como ato de soberania alimentar e valorização da cultura tradicional.
correto

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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