Com a alta global do petróleo, a escassez de diesel no Brasil compromete transporte, obras e saúde no RS, evidenciando riscos econômicos e a urgência de transição energética no país.
O número de municípios do Rio Grande do Sul com dificuldades no abastecimento de óleo diesel subiu para 166, segundo levantamento da Federação das Associações de Municípios do Estado (Famurs). Os dados, atualizados na manhã de quarta-feira (25), indicam avanço do problema em relação à semana anterior, quando 142 cidades haviam relatado impactos. O cenário reflete a crescente escassez do diesel no Brasil, que já afeta diferentes regiões.
A consulta reuniu respostas de 384 das 497 prefeituras gaúchas, o que revela que cerca de um terço do estado enfrenta algum nível de restrição no fornecimento do combustível. Entre os casos mais críticos, Formigueiro e Tupanciretã seguem em situação de emergência. A capital, Porto Alegre, não aparece na lista de municípios afetados.
Diante do cenário, administrações municipais passaram a priorizar o uso do diesel em atividades essenciais, como atendimento na área da saúde e transporte de pacientes. Serviços que dependem de maquinário pesado, como obras e manutenção de estradas, foram temporariamente suspensos em diversas localidades. A situação evidencia como a escassez de diesel no Brasil impacta diretamente a rotina e a prestação de serviços públicos.
A Famurs alerta que a instabilidade no abastecimento representa risco direto ao funcionamento de serviços públicos. O diesel é o principal combustível utilizado por caminhões, ônibus e equipamentos agrícolas, o que amplia os efeitos da escassez do diesel no Brasil sobre a logística, a mobilidade e a produção.
O problema tem origem em fatores externos. A escalada de tensões no Oriente Médio, especialmente após os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã no fim de fevereiro, vem pressionando a cadeia global de petróleo. Como o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, oscilações internacionais têm impacto direto no mercado interno e ajudam a explicar a atual escassez de diesel no Brasil.
Desde o início do conflito, o preço do combustível registrou alta aproximada de 20% no país, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em posicionamento anterior, o órgão regulador afirmou que não havia desabastecimento generalizado, mas dificuldades logísticas na distribuição.
Para conter os efeitos da escassez de diesel no Brasil, o governo federal adotou medidas emergenciais, como a zeragem de tributos federais, PIS e Cofins, e a concessão de um subsídio de R$ 0,32 por litro de diesel produzido ou importado. Também há articulação para que estados adotem mecanismos semelhantes.
A Petrobras, principal fornecedora do país, reajustou o preço do diesel em R$ 0,38 no último dia 14. Segundo a presidente da estatal, Magda Chambriard, o impacto ao consumidor foi parcialmente amortecido pelas ações governamentais. Enquanto isso, a ANP intensificou a fiscalização em postos e distribuidoras para monitorar o abastecimento no país.