Epilepsia é um problema de saúde pública, segundo neurologista da USP

Por Simone Lemos

Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que a epilepsia afeta aproximadamente 50 milhões de pessoas no mundo, causando impacto na qualidade de vida. Estima-se que mais de 8 milhões de pessoas sofram com o problema somente na América Latina e que mais da metade desses pacientes não recebam tratamento, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde.

“Epilepsia é um problema de saúde pública pela frequência com que acomete as pessoas, não tem cura, o tratamento com medicações é contínuo e a vida do portador tem suas limitações. Para considerar que uma pessoa tem a doença, é necessário que ela tenha tido pelo menos uma crise e uma predisposição, um risco de voltar a ter crises”, diz o médico Lécio Figueira Pinto, neurologista do Grupo de Epilepsia e coordenador do Ambulatório de Epilepsia de Adultos da Divisão de Clínica Neurológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Alguns exames e uma avaliação mais adequada podem detectar se a pessoa pode voltar a apresentar o problema. Quando o tratamento feito através de medicamentos não funciona, a cirurgia pode ser uma opção. “Vários fatores podem causar epilepsia, que é uma ativação elétrica anormal do cérebro que pode causar um apagão ou uma convulsão”, diz o médico. Entre as causas da doença estão: meningite, lesão cerebral que causa encefalite, AVC, trauma de crânio, doença degenerativa cerebral, como o Alzheimer, causas genéticas, e há situações em que não é possível pelos exames atuais definir a causa.

A crise epiléptica pode ocorrer de uma maneira leve, com alguns movimentos involuntários do corpo, alucinação visual, mal-estar, choquinhos pelo corpo, pequenos apagões até a convulsão. Se, em algum momento, você se deparar com uma pessoa em crise, a palavra-chave é calma.

Segundo Figueira Pinto, “não tente abrir a boca, não tente colocar nada na boca, não tente puxar a língua, você pode se machucar ou machucar a pessoa. Vire ela de lado, proteja a cabeça, espere passar a crise, que pode durar até dois minutos, não deixe ela sozinha, já que ela vai ficar meio confusa. Caso a crise ultrapasse os dois minutos acione o Samu, pois ela pode estar em estado de mal epiléptico”.

Fonte: Jornal da USP

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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