Disputas políticas e incertezas sobre o futuro do petróleo ameaçam a OPEP

A situação é curiosa: em meio ao maior aumento no valor do barril de petróleo em três anos, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e seus aliados não conseguem dialogar direito e ameaçam abrir a maior crise política do setor em cinco décadas. O Financial Times fez um raio-X das desavenças entre os principais países do cartel, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU), além da Rússia (que não faz parte da OPEP, mas que atua junto com o grupo desde 2016).

A principal divergência está no aumento da produção de óleo a partir de 2022: todos entendem que a produção precisará aumentar com a retomada da demanda pós-pandemia; o problema é que não há acordo sobre o volume a mais a ser produzido e como isso se desdobraria na produção dos diferentes países do bloco. Os EAU, por exemplo, querem que a OPEP reveja a “linha de base” (ou seja, a referência para calcular a meta de produção) como condição para uma renovação do acordo feito pelo cartel com o governo russo no ano passado. Já a Arábia Saudita e a Rússia entendem que uma revisão da linha de base pode desorganizar o setor no pior momento possível para isso.

Para Sam Meredith, da CNBC, o colapso das conversas na OPEP pode indicar um problema mais grave para o cartel: a falta de “solidariedade” entre os produtores de petróleo. Não à toa, o mercado assiste com atenção e ansiedade à situação do grupo e às perspectivas para o médio prazo na produção de óleo. O preço do barril West Texas Intermediate atingiu nesta 3ª feira (6/7) o patamar mais alto em seis anos: US$ 76,98 no começo do dia nos EUA. Já o barril Brent caiu 2%, de US$ 77,84 para US$ 75,45. Al-JazeeraBloombergCNNEl PaísNY TimesReuters e Valor repercutiram o vai-e-vem dos preços internacionais do petróleo.

Em tempo: A petroleira mexicana Pemex afirmou ontem que o enorme incêndio que aconteceu na última 6ª feira (2/7) próximo a uma plataforma de petróleo no Golfo do México “não causou danos ambientais”. Segundo a empresa, não houve vazamento de óleo para o mar. O incêndio, que viralizou nas redes sociais, teria sido provocado por uma tempestade elétrica que desencadeou um vazamento de gás em um gasoduto subaquático quebrado. A notícia é da Reuters.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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