Diálogos para a competitividade

A diversidade necessária ao mundo de hoje não é apenas a de gênero, religião ou cor da pele. A diversidade que mais carecemos hoje é a de inteligência de conceber um futuro próspero, que necessariamente será diferente do passado e do presente. Carece-nos a capacidade de dialogar e construir uma visão adequada ao aumento de nossa competitividade. Já passou da hora. Mas todo dia traz uma esperança, mesmo que as trevas sigam a insistir, ao final a evolução e o progresso hão de prevalecer.

Augusto Cesar Barreto Rocha
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Faz total sentido uma busca constante por mais competitividade em uma cidade, estado, região ou país. Os membros do governo, junto com a sociedade organizada devem estar em constante ação executiva para melhorar a capacidade de competir em um sistema econômico. Para isso, é preciso entender e aceitar que existe uma competição eterna por alimentos e recursos. Se nos perdemos desta questão central, terminamos escolhendo as batalhas erradas e passamos a lutar, uns de nós, contra outros de nós mesmos, a partir de pautas fajutas. Fugimos das pautas reais por incapacidade de enfrentá-las e começamos a discutir o que não interessa.

O Brasil está encurralado nesta armadilha: discutimos entre nós, com uma profunda superficialidade, o que não importa e nem interessa. Em paralelo, retiramos, de todas as pautas, o que importa e interessa, removendo da sala especialistas e colocando no debate amadores e palpiteiros. Ao final, decisões de políticas públicas são tomadas e executadas, com uma pulverização enorme de esforços, sem sair do lugar ou dando marcha à ré com toda a força. No mundo, não sair do lugar significa ficar cada vez mais para trás, frente ao mundo desenvolvido. É desolador, mas esta é a situação em que vivemos, mas a cada dia que passa temos uma nova chance de começar a mudar.

Outro erro é escolher pautas do século XIX para o mundo do século XXI. Toneladas de carne são necessárias, mas a economia do futuro é cada vez mais digital. Os serviços e o digital são a economia do presente e futuro. No tempo do Brasil Colônia, a retirada de minérios já não era tão interessante para o país. No século XIX já não fazia sentido. No século XX, mesmo em escala industrial, viu-se que o volume não era assim tão grande de recursos gerados. O Nubank vale cerca de R$ 271 bilhões, fundado em 2013. A Vale R$ 419 bilhões, com uma escala nacional, 120 mil empregados, ferrovia etc. Hoje, muitos de nós, estamos com ideia fixa de retornar a bateia e à balsa, numa escala ridiculamente baixa de riqueza, para uma pegada ambiental absurdamente alta. E a ciência e tecnologia perdem recursos. Nada mais triste, para um país tão cheio de potenciais, que renuncia à inteligência, em substituição pelo atraso. E ainda acha “bacana”.

A saída desta situação é possível. O raiar de cada dia traz uma esperança de mudança. Vamos conseguir começar a conversar sobre o que nos atrasa? Há tantos especialistas, tantos órgãos de Estado prontos para contribuir, mas eles foram expulsos das salas. Como se a inteligência, que ousa pensar diferente do chefe, fosse um estrangeiro ou um ladrão. A diversidade necessária ao mundo de hoje não é apenas a de gênero, religião ou cor da pele. A diversidade que mais carecemos hoje é a de inteligência de conceber um futuro próspero, que necessariamente será diferente do passado e do presente. Carece-nos a capacidade de dialogar e construir uma visão adequada ao aumento de nossa competitividade. Já passou da hora. Mas todo dia traz uma esperança, mesmo que as trevas sigam a insistir, ao final a evolução e o progresso hão de prevalecer.

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Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM.
Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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