Desoneração da folha favorece o emprego

Há necessidade de se manter um diálogo prévio com as entidades de classe a fim de que haja acordo também que compatibilize a posição a ser adotada e aprovada pelo Congresso Nacional, alcançando-se por conseguinte aumento de arrecadação, concomitante com o aumento e preservação do emprego, mais empreendimentos a serem implantados, garantindo a competitividade da indústria e do comércio nacional.

Por Antonio Silva
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Na reunião da base aliada do governo federal no Senado, realizada há uma semana com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ficou estabelecido um acordo para que seja retirada da medida provisória (MP), editada no final de 2023, a reoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia.

Os representantes das entidades do setor produtivo entendem que a participação de todos para buscar convergências e entendimentos é muito importante, considerando que o diálogo é a ferramenta mais adequada para se atingir o caminho mais viável para o crescimento econômico e o equilíbrio fiscal do país, pois, como empreendedores, estamos comprometidos com o desenvolvimento econômico e social

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Desde 2011 as empresas pagam a contribuição previdenciária patronal numa alíquota de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, o que significa menos impostos recaindo sobre a mão de obra. Antes o governo cobrava 20% sobre o total da folha de pagamento, o que onerava o custo de cada emprego, dificultando as contratações do setor produtivo e causando problemas de competitividade tanto no mercado externo como no interno, tendo em vista o aumento de custo das contratações, prejudicando o desempenho das empresas agropecuárias, comerciais, industriais, dos serviços e transportes, que representam a grande parte de todo o emprego formal do Brasil

emprego
Foto divulgação

Caso permanecesse a reoneração da folha de salários de 17 setores cairia por terra a preservação do emprego, resultando no aumento do cuidado da empresa que contrata, pois as consequências seriam a parada dos investimentos de implantação, ampliação e modernização, para compensar a perda de competitividade da indústria e do comércio concorrente das importações que não sofre esse ônus que se impõe ao setor produtivo nacional.

Portanto, há necessidade de se manter um diálogo prévio com as entidades de classe a fim de que haja acordo também que compatibilize a posição a ser adotada e aprovada pelo Congresso Nacional, alcançando-se por conseguinte aumento de arrecadação, concomitante com o aumento e preservação do emprego, mais empreendimentos a serem implantados, garantindo a competitividade da indústria e do comércio nacional.

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Ricardo Alban, presidente da CNI (Crédito: IANO ANDRADE / CNI)

O acordo firmado da retirada da reoneração já é um passo para a busca do equilíbrio e da justiça fiscal. Todos precisam dar sua contribuição para que não recaia apenas sobre o setor produtivo esse ônus do ajuste do equilíbrio fiscal. Havendo portanto a possibilidade de ser enviado um projeto de lei ao Congresso Nacional que equalize os interesses do governo e da iniciativa privada. 

São muitos os desafios neste ano, a redução do déficit primário, que os mais otimistas estimam em 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), a continuidade da reforma tributária com o detalhamento que deverá ser tratado em legislação infraconstitucional e compatível com as aspirações nacionais. Esses serão os principais temas da agenda econômica de 2024.

Gostaria de finalizar, parabenizando meu assessor Gilmar Freitas, que neste dia faz aniversário.

Antonio Silva esquerda

Antônio Silva é administrador de empresas, empresário e presidente da Federação das Indústrias do estado do Amazonas e vice presidente da CNI.

Antônio Silva
Antônio Silva
Antônio Silva é administrador de empresas, empresário e presidente da Federação das Indústrias do estado do Amazonas e vice presidente da CNI.

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